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Mãe e filha denunciam cortes gregos como 'crime contra humanidade'

Para especialista, processo no Tribunal Penal Internacional não deve ser levado a sério, mas mostra grau de desespero de alguns gregos.

Mark Lowen, BBC

23 de abril de 2012 | 09h42

Um grupo de dez pessoas está movendo um processo contra o pacote de austeridade do governo da Grécia no Tribunal Penal Internacional, acusando a medida de ser um "crime contra a humanidade".

O grupo inclui dez pessoas com idades entre 19 e 50 anos, e é liderado por duas pedagogas - que são mãe e filha. O grupo argumenta que os cortes de gasto público estão "matando o povo grego" e que as medidas são o equivalente a um "genocídio em meio à paz".

O processo é liderado por Tanya Yeritsidou e por sua mãe, Olga. O perfil dos gregos que apoiam a iniciativa das duas não é formado por extremistas, mas sim por gregos de classe média e de bom nível de educação.

Muitos são profissionais liberais - como fisioterapeutas, advogados, médicos - que estão sendo fortemente atingidos pelo pacote do governo grego, que visa combater a grave crise financeira provocada pelo alto nível de endividamento do país.

"Ao pegar o nosso dinheiro e a nossa propriedade, nós não temos acesso a abrigo, comida, saúde, educação, transporte e trabalho", diz Olga à BBC.

"Ao nos privar de nossa renda, eles nos proíbem de casar e de ter filhos. As pessoas mais jovens, que não conseguem se sustentar, não podem casar. Enquanto isso, os mesmos jovens são empurrados para imigrar para outros países."

O processo movido por mãe e filha contém acusações fortes, como a de "destruição intencional de uma raça" por parte do governo grego.

A Grécia enfrenta uma grave crise econômica desde 2010, e teve que recorrer a empréstimos emergenciais de organismos internacionais. Em troca da ajuda, o país se comprometeu a implementar profundas reformas para reduzir o nível de endividamento. Mas isso tem provocado ainda mais desemprego e crise.

'Humano'

Para o advogado constitucional grego George Katrougalos, o processo tem poucas chances de vingar.

"Esse caso é legalmente absurdo. Não existe nenhuma base jurídica para se mover uma ação deste tipo. Mas eu consigo entender isso, como comportamento humano diante de uma crise", disse o advogado à BBC.

A Grécia se prepara para ir às urnas no dia seis de maio, e os cortes no orçamento são o principal tema da campanha eleitoral.

Para Elena Panaritis, do partido governista Pasok, culpar as medidas de austeridade é uma forma simplista de lidar com a crise atual da Grécia. A tentativa de levar um caso ao Tribunal Penal Internacional não vai dar em nada, ela acredita.

"Essas duas senhoras só olham para o resultado de algo que elas consideram ser o resultado da austeridade, em vez de o resultado de uma economia que foi muito mal administrada por décadas", disse Panaritis à BBC.

"No entanto, os gregos estão votando nos mesmos partidos que estas duas senhoras estão criticando."

O grupo liderado por Tanya e Olga se mantém confiante no seu processo no Tribunal Penal Internacional. O caso será agora analisado pela Corte, que precisa decidir se deixa o processo ir adiante ou não. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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