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Maersk Oil compra ativos da SK Corporation no Brasil por US$ 2,4 bi

Petróleo. Aquisição dá à companhia dinamarquesa, que já possuía participação em cinco blocos exploratórios no País, acesso a potenciais reservas do pré-sal na Bacia de Campos, além de garantir à empresa produção local imediata

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

A companhia dinamarquesa Maersk Oil anunciou ontem acordo de US$ 2,4 bilhões para a compra dos ativos brasileiros de petróleo da sul-coreana SK Corporation. O negócio garante à Maersk acesso a potenciais reservas do pré-sal na Bacia de Campos, além de produção imediata de petróleo no País. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a SK Brasil produz hoje 10 mil barris por dia no Brasil.

A compra da SK Brasil fecha um ano de negócios vultosos envolvendo ativos de exploração e produção de petróleo no Brasil. É a quarta aquisição de grande porte, estratégia que vem sendo cada vez mais usada como alternativa para expansão ou entrada de empresas no País após a suspensão dos leilões de blocos marítimos nas Bacias da região Sudeste, em 2008, fruto da descoberta do pré-sal.

"Esse investimento vai contribuir significativamente para repor as reservas da Maersk Oil no longo prazo, uma vez que expande a posição da companhia em uma das regiões mais atrativas para a indústria de exploração e produção (de petróleo)", disse, em comunicado, o presidente do grupo Maersk, Nils S. Andersen. A companhia já tinha participação em cinco blocos exploratórios no País - alguns em parceria com a Petrobrás e outros com a OGX.

Com a operação, passa a deter fatias no campo de Polvo, operado pela norte-americana Devon (ativo recentemente comprado pela BP), e nos blocos exploratórios BM-C-30 e BM-C-32, na porção norte da Bacia de Campos. Esses últimos já têm descobertas no pré-sal, ainda em fase de exploração, feitas por Anadarko e Devon, respectivamente. A SK não comentou oficialmente a transação.

"A aquisição é consistente com nossa estratégia por transformar o Brasil em um país chave para a Maersk Oil", completou Andersen, no texto divulgado ao mercado. Segundo a empresa, as descobertas do pré-sal de Wahoo (no BM-C-30) e Itaipu (BM-C-32), devem ser delimitadas em 2011 e testadas em 2013. O início da operação comercial está previsto para depois de 2016.

Operações de aquisição de ativos petrolíferos no Brasil ganharam força este ano e somam quase US$ 20 bilhões após o anúncio da Maersk - o valor inclui os US$ 7 bilhões pagos pela BP para comprar campos da Devon aqui e no Casaquistão, negócio ainda não aprovado pela ANP.

Por meio desse tipo de operação, as gigantes chinesas Sinopec e Sinochem garantiram acesso a reservas brasileiras, em negócios celebrados com a Repsol e Statoil, respectivamente. A gigante BP usou estratégia semelhante para garantir participação no pré-sal, após tentativas frustradas de encontrar petróleo na Foz do Rio Amazonas no início da década. Antes da aquisição da Devon, a empresa não tinha nenhum ativo brasileiro em seu portfólio.

Expectativa. O mercado espera para breve nova operação de grande porte no setor, uma vez que a OGX, do grupo de Eike Batista, já anunciou que pretende vender até 20% de seus ativos na Bacia de Campos, com o objetivo de dividir riscos e custos do desenvolvimento dos projetos. Relatório da consultoria DeGolyer & McNaughton estima que as reservas da OGX na região sejam de, no mínimo, 2,6 bilhões de barris de petróleo.

Inicialmente, o negócio seria anunciado este ano, mas Batista decidiu adiar as negociações. As apostas são para mais uma aquisição envolvendo empresas chinesas, que buscam garantia de suprimento futuro de petróleo à economia que mais cresce no mundo. As principais estatais do país asiático já anunciaram oficialmente interesse nos ativos. Em uma das últimas entrevistas sobre o tema, Batista diz que espera levantar "muito dinheiro" com a transação.

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