Magazine Luiza faz acordo com YouTube

Site vai exibir vídeos da rede de varejo para elevar vendas online

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

Um ano depois de ter comprado o site de compartilhamento de vídeos YouTube por US$ 1,65 bilhão, o Google dá o primeiro passo para explorar comercialmente esse negócio no Brasil. Ontem, o Google, o maior site de buscas do mundo, e o Magazine Luiza, a terceira maior rede varejista de eletroeletrônicos do País, fecharam uma parceria que prevê a exibição de vídeos informativos sobre o funcionamento dos produtos vendidos no site da varejista. A tecnologia de armazenamento e transmissão dos filmes será feita pelo YouTube."Essa é a primeira parceria do YouTube com o comércio eletrônico na América Latina", afirmou o diretor-geral do Google no Brasil, Alexandre Hohagen. Nos Estados Unidos, a companhia fez um acordo semelhante com a varejista Target Direct, disse. O executivo não revelou se negocia contratos parecidos com outros sites de comércio eletrônico, mas destacou que não há exclusividade nesse acordo.A parceria prevê também um canal do Magazine Luiza dentro do YouTube. Segundo o diretor de Vendas e Marketing do Magazine Luiza, Frederico Trajano, a companhia investiu R$ 1,5 milhão no projeto. "A remuneração do Google virá das campanhas com links patrocinados do Magazine Luiza." O executivo destacou que vai ampliar de R$ 9 milhões neste ano para R$ 14 milhões em 2008 os gastos em propaganda no meio online. Desse total, 50% dos recursos serão destinados para sites de busca.Segundo Trajano, 58 vídeos já estão no site da companhia. Até dezembro, serão 120, e a perspectiva é ter 500 filmes na internet no fim do ano que vem. Os filmes, produzidos pela própria rede varejista, têm como protagonista a personagem tia Luiza, que explica com simplicidade o funcionamento dos produtos - como já ocorria antes no site, mas de forma estática, por meio de texto.Trajano explicou que a decisão de criar vídeos para a venda pela internet foi tomada com o objetivo de humanizar a venda online, aumentar a interatividade e ampliar a taxa de conversão de visita para venda efetiva de quem consulta o site do Magazine Luiza. Ele não revelou qual é a taxa atual de conversão. Atualmente, o site da companhia recebe 5 milhões de visitas por mês e tem 600 clientes cadastrados. O faturamento do site e das lojas virtuais, aquelas que não têm o produto físico, deve atingir neste ano R$ 350 milhões. Para o ano que vem, a expectativa é vender cerca de R$ 500 milhões."Está mudando a forma de se relacionar no comércio eletrônico", observou o diretor do Google. Ele destacou que, nos Estados Unidos, já existem empresas fazendo uso da maior humanização desse meio - como, por exemplo, mostrar a experiência de uso do produto ao vivo. Nessa direção, já existe no Brasil um site, o Super Tube, que tem como principal característica possibilitar ao usuário a comercialização de produtos por meio de vídeos.Para o presidente do Interactive Advertising Bureau (IAB) Brasil, Paulo Castro, esse modelo de publicidade na internet por meio de filmes, que se aproxima dos comerciais de TV, é uma tendência. "A intenção é gerar valor."Mesmo sem os vídeos, a fatia da internet no bolo de verbas publicitárias, que ainda é pequena se comparada a outros meios de comunicação, cresceu. Neste ano, os investimentos publicitários na internet deverão somar R$ 469 milhões, ou 2,7% do total dos investimentos, segundo estimativas da IAB. Em 2006, essa participação foi de 2,1%. "A tendência é a ampliação dessas cifras com o uso da banda larga."Para um mercado que deve fechar este ano com 40 milhões de internautas, o comércio eletrônico deve exibir números invejáveis. Segundo projeções do E-Bit, empresa especializada em informações sobre o comércio eletrônico, as vendas virtuais neste ano deverão somar R$ 6,4 bilhões, com crescimento de 45% em relação a 2006. "Trata-se de uma taxa vigorosa perto do varejo tradicional, que deve crescer 10%", frisou Pedro Guasti, diretor do e-bit.

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