Magazine Luiza prevê receita de R$ 15 bilhões em 2015

Rede confirmou ontem a aquisição da nordestina Lojas Maia, e disse que quer entrar agora no RJ, ES e na Região Norte

Rodrigo Petry, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

A rede varejista Magazine Luiza anunciou ontem seu plano estratégico que prevê atingir em 2015 uma receita bruta anual de R$ 15 bilhões. "Essa projeção leva em consideração um crescimento anual de 15% das vendas, a expansão orgânica, o comércio eletrônico, as aquisições e a manutenção do atual cenário econômico", afirmou o superintendente da empresa, Marcelo Silva. Com a aquisição, na última semana, da rede nordestina Lojas Maia, com foco nas classes C e D, o faturamento da companhia deverá encerrar 2010 em aproximadamente R$ 6 bilhões, num total de 611 lojas em 16 Estados.

"Queremos consolidar os mercados em que já estamos e, depois, avançar para novas regiões", afirmou Silva. Segundo ele, a meta da companhia para os próximos cinco anos é entrar nos mercados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Estados onde ainda não atua, e na Região Norte, além de ampliar a representatividade no Centro-Oeste e Nordeste. A presidente da companhia, Luiza Trajano, afirmou que as expansões poderão vir por meio de aquisições ou crescimento orgânico. A executiva disse, porém, que atualmente o grupo não negocia a compra de nenhuma outra rede.

Segundo ela, o foco da companhia neste momento será fazer a transição e a consolidação dos resultados. Apesar do acordo com a Lojas Maia ter sido assinado no último dia 16, a companhia irá assumir a rede nordestina apenas no dia 1.º de agosto. Durante as próximas duas semanas, estará ocorrendo o processo de duo diligence (levantamento dos números financeiros da empresa comprada). Assim como o Magazine Luiza, a Lojas Maia tem balanço auditado pela Deloitte.

Luiza Trajano disse não prever dificuldade na unificação das bases de cartões próprios das duas varejistas, que, juntas, vão totalizar 3,4 milhões de cartões. O parceiro do Magazine Luiza no financiamento ao consumidor é o Itaú Unibanco, enquanto a Lojas Maia tem contrato com o Banco do Brasil.

Oficialmente, a empresa se recusou a divulgar os valores da negociação, atendendo a um pedido dos antigos controladores da Lojas Maia. Segundo apurou o Estado, o valor do negócio foi R$ 290 milhões, sendo a maior parte em assunção de dívidas e cerca de R$ 100 milhões para o pagamento aos acionistas da rede nordestina. A transação contou com a assessoria do escritório Demarest & Almeida, pelo lado da Lojas Maia, e do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga e do BR Partners pelo lado do Magazine Luiza.

Abertura de capital. Marcelo Silva destacou também que a companhia vem ampliando as práticas de governança corporativa, com a criação de uma diretoria executiva e um conselho de administração. Segundo ele, a empresa está preparada para fazer uma Oferta Pública de Ações (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa.

"Vai chegar a hora, tudo vai depender do mercado. Só não sei quando", disse o executivo. O cenário para que a empresa atinja um faturamento de R$ 15 bilhões em 2015 desconsidera a abertura de capital.

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