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Magazine Luiza se prepara para ofensiva no Cade caso proposta da Centauro vingue 

O patamar atual de US$ 3,70 por ação foi estabelecido pela Centauro na oferta apresentada na madrugada da última quarta, 12

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 12h08
Atualizado 13 de junho de 2019 | 23h20

O Magazine Luiza está preparado para recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) caso os acionistas da Netshoes rejeitem a proposta de compra da companhia na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para a próxima sexta-feira, 14, tendo em vista a oferta mais recente da Centauro.

Na última quarta, 12, a Centauro conseguiu um despacho do Cade aprovando um pedido para que o órgão avalie a eventual compra da varejista via rito sumário, ou seja, em até um mês, medida que aliviaria algumas preocupações da Netshoes com o negócio. Por ser parte interessada, o Magazine tem a prerrogativa de apelar ao Cade em até duas semanas e fontes informaram ao Broadcast/Estadão que a empresa fará uso dessa ferramenta, se necessário.

A estratégia acirra ainda mais a disputa pela Netshoes. Na manhã desta quinta, o Magazine Luiza cobriu a oferta da Centauro pela Netshoes, igualando a proposta de compra em US$ 3,70 por ação, aproximadamente US$ 114,9 milhões.

Com a apresentação da nova oferta do Magazine, o conselho de administração da Netshoes voltou a recomendar aos seus acionistas que aprovem a proposta, citando o alto grau de certeza da transação, que seria efetuada até o dia 19 de junho, se aprovada na AGE de amanhã.

"É de interesse dos acionistas da Netshoes garantir uma transação com fechamento em apenas alguns dias de distância, dadas as pressões divulgadas anteriormente sobre o fluxo de caixa operacional e a condição financeira da Netshoes", diz o comunicado enviado pela empresa à Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA.

O patamar atual de US$ 3,70 por ação foi estabelecido pela Centauro na oferta apresentada na madrugada da última quarta. A empresa já havia proposto um valor mais alto do que a concorrente Magazine Luiza anteriormente, de US$ 3,50, mas, por considerar os riscos do negócio muito altos, a Netshoes avaliou que a oferta não era superior à do Magazine, que, até então, estava em US$ 3,00 por ação.

 Ontem, porém, a Centauro, além de aumentar o valor, apresentou algumas medidas para mitigar os riscos do negócio, como um empréstimo de até R$ 120 milhões à Netshoes para reforçar o capital de giro, além de um financiamento adicional com o Banco Votorantim, elevando de R$ 325 milhões para R$ 375 milhões os recursos a serem tomados por empréstimo para subsidiar a fusão.

Reforma tributária

De olho na agenda de reformas do governo Bolsonaro, o setor varejista terá participação ativa na reforma tributária, a exemplo do ocorrido na trabalhista em 2017. Recém-empossado presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Marcelo Silva, vice-presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, disse ao Estadão/Broadcast que o setor tem colaborado com o governo sugerindo a simplificação de impostos. “Ao invés de poucos pagando muito, queremos que muitos paguem menos”, disse.

As 70 empresas que compõem o IDV montaram um comitê para tratar da reforma tributária e arquitetar ideias para facilitar a abertura e fechamento de empresas e lojas, além de outras sugestões.

A proposta de reforma tributária que tramita no Legislativo, do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), prevê a unificação de cinco tributos – IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS – num único Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), que deverá ser cobrado no local onde o produto for consumido. O texto se baseia nas ideias do economista Bernard Appy, do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF).

Para Silva, não devem ser consideradas isenções fiscais e incentivos. “O que estamos sugerindo é uma simplificação para que as pessoas se sintam encorajadas a pagar impostos e não a sonegar”, afirmou. 

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