Divulgação
Divulgação

Magazine Luiza sobe 12% após acordo de R$ 330 milhões

Empresa renovou contrato para vender seguros em lojas com a francesa BNP Paribas Cardif por mais dez anos

Fernando SchellerDayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2015 | 09h21

O anúncio da renovação de um acordo para a venda de seguros – como as garantias estendidas para produtos – entre a seguradora francesa BNP Paribas Cardif e a varejista Magazine Luiza deu ânimo às ações da empresa brasileira, que fecharam em alta de 12,39% ontem, a R$ 8,80.

Ao longo do dia, o papel chegou a subir 25%, chegando próximo da marca de R$ 10, mas o movimento de compras se desacelerou no período da tarde.

O valor a ser pago à varejista pelo direito de venda de seguros aos clientes do Magazine Luiza é de R$ 330 milhões, equivalente a cerca do dobro do valor de mercado da empresa na BM&FBovespa na segunda-feira, que era de R$ 172 milhões.

O negócio servirá para dar fôlego ao caixa da empresa e também para reduzir a dívida da companhia, que somava R$ 1,3 bilhão em setembro. Os R$ 330 milhões arrecadados são equivalentes a cerca de um quarto do endividamento da varejista.

Desconfiança. As companhias que vendem móveis e eletroeletrônicos estão entre as mais afetadas pela crise econômica. Tanto Magazine Luiza quanto Via Varejo – braço do Grupo Pão de Açúcar que concentra as marcas Casas Bahia e Ponto Frio – vêm sendo castigadas pelo mercado financeiro.

No acumulado de 2015, até ontem, Magazine Luiza e Via Varejo perderam 85,95% e 75,93%, respectivamente, em valor de mercado na Bolsa paulista.

Embora a renovação com a BNP Paribas Cardif fosse prevista, o analista do banco Brasil Plural, Guilherme Assis, diz que o valor do contrato ficou acima do esperado – as projeções giravam em torno de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões.

“A empresa ganha um fôlego, já que a expectativa para o ano de 2016 é ruim por causa da queda da renda, da alta do desemprego e do aperto no crédito”, diz o analista.

As empresas do setor, de maneira geral, estão buscando reforço de caixa. A Via Varejo também anunciou, no início deste mês, a prorrogação de um contrato com o Bradesco para a oferta de cartões e serviços de correspondente bancário.

O contrato, válido até 2029, é de R$ 703,7 milhões, sendo R$ 550 milhões em antecipação de contratos e R$ 153,7 milhões em remunerações adicionais.

A oferta de serviços adicionais – como garantias estendidas, seguros e cartões de crédito – é vista com uma importante fonte adicional de receita para as varejistas, uma vez que a margem na venda de eletrodomésticos é baixa.

Disputa pelo preço. Para Assis, do Brasil Plural, a possibilidade de a Via Varejo voltar a adotar uma estratégia de preço mais agressiva – estratégia já indicada pela companhia em divulgações de resultados – pode ser um obstáculo extra para o Magazine Luiza ao longo de 2016.

“Nos últimos anos, apesar de ter um terço do tamanho da Via Varejo, o Magazine Luiza conseguiu ganhar share (participação de mercado). Mas a verdade é que o poder de barganha com fornecedores da Via Varejo, que concentra cerca de 30% do mercado, é bem maior”, ressalta o analista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.