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Magazine Luiza vai abrir mais lojas em 2017

Com desempenho superior ao de rivais, varejista espera uma melhora no consumo em 2017; ‘difícil haver um ano pior que o atual’, diz Trajano

Dayanne Souza, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2016 | 05h00

“Por mais que o mercado fique ruim, é difícil haver um ano como esse”. A frase resume a expectativa do presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, para o consumo no ano que vem. A rede varejista teve desempenho acima da média do mercado este ano e vê em 2017 um ambiente melhor, afirmou o executivo em reunião com investidores e analistas.

No terceiro trimestre deste ano, a empresa registrou lucro líquido de R$ 24,8 milhões, contra prejuízo de R$ 19,1 milhões no mesmo período do ano passado. Já a sua rival Via Varejo, braço do Grupo Pão de Açúcar que reúne as operações de Casas Bahia e Ponto Frio, teve perdas de R$ 90 milhões no mesmo período, alta de 91,4% sobre o prejuízo dos mesmos meses do ano passado.

Segundo Trajano, a Black Friday superou as expectativas e as vendas de final de ano têm dado sinais positivos. Diante da melhora no cenário, a rede decidiu acelerar a abertura de lojas para 2017, na comparação com os 20 pontos de venda abertos este ano. De acordo com o executivo, houve uma freada na expansão este ano porque o primeiro semestre foi usado sobretudo para renegociação de contrato de lojas existentes. Historicamente, o Magazine Luiza vinha abrindo cerca de 50 lojas por ano antes de decidir fazer a pausa.

“Existem possibilidades boas de expansão em termos mais razoáveis de custo”, disse Trajano. Ele acredita que será possível abrir mais lojas sem que o investimento mude significativamente ante o patamar de R$ 150 milhões, que é a média histórica da companhia.

Na avaliação do executivo, a companhia tem conseguido reduzir o investimento necessário por loja dado que hoje os preços do mercado imobiliário estão melhores e as lojas estão sendo alugadas sem a cobrança das chamadas luvas, que era feita pelos locadores no momento da assinatura do contrato.

A companhia vai priorizar a expansão por meio da abertura de novas lojas, mas não descarta comprar ativos de rivais. “Realmente, quando se tem um mercado como esse agora, existem várias oportunidades de aquisição”, comentou Trajano. “Não posso falar que dessa água não beberei porque às vezes surge coisa muito boa, imperdível, mas estamos muito focados no crescimento orgânico.”

Questionado por jornalistas sobre impactos possíveis do processo de venda de sua maior concorrente, a Via Varejo, ele descartou a hipótese de que qualquer transação de fusão ou aquisição pudesse afetar de forma significativa a dinâmica competitiva do setor. “Não vejo nenhuma ameaça competitiva”, disse.

Governo. Também durante a reunião, Luiza Trajano, presidente do conselho de administração da companhia, afirmou que o governo do presidente Michel Temer precisa dar algum sinal que ajude a impulsionar o consumo no País. Segundo a empresária, os impactos positivos no consumo podem vir de um processo de redução da taxa básica de juros Selic e da liberação de crédito a pequenas empresas.

Luiza afirmou que o governo precisa se atentar para o tema do consumo como forma de conquistar apoio da opinião pública. “Ninguém quer subsídios nem redução de imposto, mas algum sinal vai ser dado e começou a ser dado com a redução de juros e liberação de crédito”, comentou.

Luiza Helena disse ainda que torce para que haja estabilidade política. “Estamos torcendo para não ter problema. Tirar um governo agora é mais um problema e precisamos de estabilidade”, argumentou. “Vamos torcer e fazer de tudo para que passem esses dois anos e as reformas necessárias sejam feitas.”

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