Magnata russo compra dois jornais britânicos deficitários

Magnata russo compra dois jornais britânicos deficitários

'The Independent' e 'Independent on Sunday' são adquiridos por Lebedev, que já controla o 'London Evening Standard'

Robert Barr / LONDRES, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

O magnata russo Alexander Lebedev acertou a compra dos deficitários jornais britânicos The Independent e Independent on Sunday, segundo informou o atual proprietário na última quinta-feira. Lebedev, que no ano passado já havia adquirido o controle do London Evening Standard, pagou 1 libra (US$ 1,49) pelos jornais Independent, que perderam 12,4 milhões de libras (US$ 18,5 milhões) no ano passado, segundo o comunicado da Independent News & Media PLC (INM) à Bolsa de Valores de Londres.

O valor simbólico é uma exigência da legislação britânica, que obriga o comprador a pagar qualquer quantia pela empresa que será adquirida. Isso acontece mesmo nos casos em que a empresa vendedora, problemática, "pague" para que seus ativos sejam adquiridos, como nesse caso. A INM vai pagar 9,25 milhões de libras (US$ 13,7 milhões) à companhia de Lebedev em 10 meses por causa das obrigações futuras dos jornais e dívidas. As ações da INM subiram 12%, para 12 pence, após o anúncio desse negócio.

"Após nosso bem-sucedido refinanciamento em fins de 2009, essa transação representa um marco importante no reposicionamento de nosso grupo e permitirá que a INM se concentre exclusivamente em seu principal mercado, ativos geradores de caixa na Irlanda, Irlanda do Norte, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia", disse o presidente executivo da INM, Gavin O`Reilly.

KGB. A compradora é a Independent Print Ltd., uma companhia controlada pela família de Lebedev. Ex-agente da KGB, ele comprou uma participação de 75% no Evening Standard em janeiro de 2009 da Daily Mail & General Trust. O jornal é agora o único vespertino em Londres e é distribuído gratuitamente.

"Sou um defensor de reportagens investigativas em profundidade e campanhas que promovam a transparência e procurem combater a corrupção internacional", disse Lebedev. "São coisas que o Independent sempre fez bem e, eu espero, continuará fazendo." The Independent, lançado em 1986, tem a menor circulação dos jornais diários nacionais. A circulação em fevereiro alcançou 183.547 exemplares - 10,88% a menos que o mesmo mês do ano passado. O Independent on Sunday teve uma média calculada de vendas de 155.661 em fevereiro, 13% abaixo do mesmo período do ano passado.

Foco. Nos últimos anos, o jornal ficou conhecido por seu foco em questões ambientais, particularmente, em assuntos relacionados às mudanças climáticas. Ele dedicou muitas de suas primeiras páginas para registrar os recursos naturais ameaçados do planeta.

O negócio, cuja conclusão é esperada para maio, inclui um acordo que garante pleno acesso a conteúdo do Independent por títulos da INM fora da Grã-Bretanha. Ele também preserva os arranjos de impressão dos jornais Independent com a Trinity Mirror Printing Ltd., e continua usando os serviços da Daily Mail & general Trust PLC pelos jornais The Independent.

Circulação gratuita. Luca Mastrodonato, analista da mídia na consultoria Ernst & Young, disse que Alexander Lebedev pode mudar o Independent para circulação gratuita, como fez com o Evening Standard. "The Independent tem pouco a perder com a mudança para o modelo gratuito", disse Mastrodonato.

"Sua circulação teve um desempenho muito pior que outros jornais nacionais, ele perdeu um quarto da circulação desde 2005 com as vendas em volume com desconto perfazendo já cerca de 20% da circulação". Bob Satchwell , diretor executivo da Society of Editors se disse otimista sobre o futuro do Independent - desde que, obiviamente, seu novo dono esteja disposto a investir no jornalismo do jornal.

"Ele certamente tem o potencial de ser bem-sucedido, mas é um jornal que tem sido subfinanciado pela maioria dos padrões", disse ele. "O jornal continuou fazendo um jornalismo fantástico. Continua sendo um jornal com atitude e com voz distinta. Ele tem muitas qualidades que poderiam ser exploradas por uma nova injeção de investimentos."

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