Magnata russo negocia a aquisição de ações da Varig

O magnata russo exilado em Londres Boris Berezovski negocia a aquisição de ações da Varig, informou nesta sexta-feira o jornal de negócios russo Viedomosti. O empresário, ex-proprietário das companhias aéreas russas Aeroflot e Transaero, negou-se a comentar o assunto com o jornal. Porém, sem dar detalhes, uma porta-voz da Varig, Flavia Caldeira, confirmou a oferta.Berezovski, que após suas críticas ao presidente russo, Vladimir Putin, foi acusado de fraude e recebeu asilo político no Reino Unido, vendeu há tempos todos os seus negócios na Rússia, na comunidade pós-soviética e na Europa oriental.Viedomosti, editado juntamente do The Wall Street Journal e do Financial Times, comentou que o magnata escolheu investir em uma companhia "problemática", em alusão à grave crise financeira enfrentada pela companhia aérea brasileira.Passo excêntrico"Seria um passo muito excêntrico", disse ao jornal a analista da investidora russa Aton, Tatiana Kapustina, em alusão às dívidas da companhia e às despesas para reestruturar sua gestão. Mesmo com a declaração, Tatiana destacou que a Varig supera a Aeroflot em seu parque de aviões e no capital que movimenta.Representantes da Fundação Ruben Berta, principal acionista da Varig, negaram-se a comentar o assunto, enquanto o departamento de investimentos da companhia indicou que todas as ofertas de compra são por enquanto extra-oficiais.Tais ofertas deverão ser aprovadas pelos credores da Varig numa reunião do próximo dia 8, e depois pela Vara de Justiça Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pelo caso de quebra da companhia.Ofertas Segundo a agência Dow Jones, a Varig recebeu até agora três ofertas de investidores brasileiros que contam com mais probabilidades de concretização que a de Berezovski, pois as leis brasileiras não permitem que estrangeiros adquiram mais de 20% das ações das companhias nacionais.A Varig, com cerca de 11 mil empregados, tem dívidas de cerca de R$ 9,2 bilhões, a maior parte com organismos públicos. Nas últimas semanas, a companhia admitiu não ter recursos em caixa para custear as obrigações diárias, como combustível e aluguéis nos aeroportos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.