WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Maia diz que prioridade deste ano é aprovar a PEC do Teto dos Gastos

Sem aprovação do projeto que limita a expansão dos gastos, relação dívida x PIB poderá chegar a 200%, afirmou o presidente em exercício

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2016 | 11h55

O presidente da República em exercício, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), alertou nesta segunda-feira, 19, que se a PEC do Teto dos Gastos não for aprovada este ano no Congresso, não sabe o que poderá acontecer com o País. "Não sei o que acontecerá no Brasil se a PEC do Teto dos Gastos não for aprovada. Se a situação atual prevalecer, a relação dívida x PIB poderá chegar a 200%, o déficit primário em 5%, fora a pressão sobre os juros e a inflação aumentando", argumentou.

Em palestra na Associação Comercial de São Paulo, Rodrigo Maia disse que mesmo tendo pouco tempo na direção da Câmara dos Deputados (sete meses), sairá satisfeito se essa medida for aprovada este ano. "Em sete meses de mandato, se aprovar a PEC do Teto dos Gastos, estou satisfeito, não tenho vaidade de querer aprovar outras reformas, como a trabalhista, por exemplo. E assim que for aprovada na Câmara e no Senado este ano, entraremos em outro momento no País." E emendou: "Minha agenda é a agenda do governo Temer porque eu acredito nela, estou me colocando como vocalizador dessas matérias porque é isso que o País precisa."

Para ele, o Brasil não é mais o País do jeitinho. E repetiu: "O impacto da não aprovação da PEC do Teto dos Gastos vai ter reflexos nas taxas de juros, nos investimentos e, se aprovado, vai garantir investimentos em saúde e educação. O Estado brasileiro não tem mais como suportar essa situação". 

Estados. Para Maia, é preciso restaurar urgentemente o equilíbrio fiscal do País.  E falou da grave crise financeira que atinge boa parte dos Estados e municípios brasileiros. "Essa crise é pior do que a do governo federal, a ponto de, na semana passada, muitos governadores deixarem claro que se não for encontrado um caminho, haverá decreto de calamidade financeira", ressaltou, e emendando: "Este é o grande desafio." "O meu Estado, Rio de Janeiro, já mostra insuficiência de recursos para despesas básicas", exemplificou, criticando, sem citar nomes, "as muitas bondades de curto prazo" que geraram a atual situação.

Comunicação. Maia lembrou das críticas que fez à comunicação do governo Michel Temer, em entrevista a uma revista semanal neste final de semana, dizendo que vem falando na necessidade de a gestão do peemedebista melhorar sua comunicação porque a população precisa apoiar as medidas que serão votadas pelo parlamento. 

"Estou falando muito em comunicação, mas não é uma comunicação bonita, é tentar colocar na cabeça dos brasileiros a importância de votação de matérias difíceis", disse Maia. E falou que é necessário mostrar de forma didática a importância das medidas fiscal e da reforma da previdência, caso contrário, "não haverá apoio da população para a aprovação de tais medidas". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.