Luis Macedo/Agência Câmara
Luis Macedo/Agência Câmara

Maia diz que Bolsonaro mentiu e que culpa por não ter 13º do Bolsa Família em 2020 é do governo

O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira que não há recursos para o abono natalino e que o pagamento do benefício neste ano poderia ser enquadrado em crime de responsabilidade

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 13h46

BRASÍLIA - Após um pedido do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira, 18, que o presidente Jair Bolsonaro mentiu sobre não ter o 13º do Bolsa Família neste ano e que a culpa por não expandir a rede de proteção social é do governo.

Ele retirou a Medida Provisória 1.000, que garantiu o pagamento do auxílio emergencial até o fim do ano da pauta. Na quinta-feira, 17, após Bolsonaro acusá-lo de não colocar em votação o pagamento do 13º do Bolsa Família neste ano, Maia disse que colocaria a MP em votação e incluiria o pagamento do abono natalino aos contemplados no programa de transferência de renda. 

Nesta sexta, Maia discursou na tribuna da Câmara, após o líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), pedir a retirada de pauta da MP 1.000. O governo teme que, ao colocar o texto em votação, os parlamentares estendam o benefício para 2021.

Barros publicou uma mensagem nas redes sociais dizendo que a MP que previa o 13º do Bolsa Família em 2019 não foi votada porque não havia recursos para arcar com o abono natalino para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, eximindo Maia de responsabilidade sobre a não votação do texto. Se fosse votada, a medida representaria um custo extra de R$ 7,5 bilhões por ano.

“Mais um episódio ocorrido ontem quando, infelizmente, o presidente da República mentiu em relação a minha pessoa. Aliás, muita coincidência, a narrativa que ele usou ontem e a narrativa que os 'bolsominions' usam há um ano comigo, em relação as MPs que perdem a validade nessa Casa, é a mesma narrativa. A narrativa que eu deixei caducar a MP do 13ª é a mesma de hoje. Peguem as redes sociais dos extremistas e vocês vão ver”, disse Maia. 

Para ele, o Palácio do Planalto faz uma articulação conjunta para desqualificar e desmoralizar a imagem dos adversários do presidente da República. Maia disse que Bolsonaro acabou sendo desmentido pelo seu próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, que disse que não há recursos para o 13º do Bolsa Família e que o pagamento do benefício neste ano poderia ser enquadrado em crime de responsabilidade, já que não houve uma compensação para a despesa.  

Por algumas vezes em seu discurso, Maia disse que Bolsonaro foge da sua responsabilidade ao ser eleito presidente do Brasil. “Quando você disputa uma eleição para ser presidente do Brasil, você assume a responsabilidade de dar um norte do nosso País. Infelizmente não é o que tem acontecido nos últimos dois anos”, disse.

Para Maia, falta coragem ao presidente para se discutir uma reformulação da rede de proteção social. Ele lembrou que foi o Palácio do Planalto que “obrigou ou indicou” o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, senador Márcio Bittar (MDB-AC) a não incluir em seu texto os gatilhos ao teto de gastos, medidas de contenção de gastos, principalmente no funcionalismo. Essas medidas são necessárias para abrir espaço no Orçamento para um novo programa social, com benefício e número de contemplados maiores que o Bolsa Família.

“Garantimos o País funcionando, porque o negacionismo do governo e a depressão do ministro da Economia fizeram com que o parlamento assumisse esse papel”, disse. 

"Estarei onde sempre estive: do lado da democracia, contra a agenda de costumes que divide o Brasil, que radicaliza o Brasil, que gera ódio entre as pessoas. E como essa é a agenda do presidente, eu continuarei sendo um leal adversário do presidente da República naquilo que é ruim para o Brasil e serei um aliado do governo, e não do presidente do governo, nas pautas que modernizam o Estado brasileiro”, disse.

Maia disse ainda que está preparado para debater ao longo de janeiro a inclusão de mais brasileiros no Bolsa Família.

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