André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Maia diz que qualquer pedido de reajuste salarial ficará parado na Câmara

O presidente da Câmara afirmou que o Legislativo não pode levantar mais dúvidas em relação ao ajuste fiscal do governo

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2016 | 14h41

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira, 9, que já avisou ao governo federal que qualquer outro projeto que preveja reajuste salarial para funcionários públicos ficará parado na Casa. Na avaliação dele, o Legislativo não pode gerar mais nenhuma notícia que levante dúvidas em relação ao ajuste fiscal que o governo federal tenta implantar. 

 "Já disse, já avisei ao governo que qualquer outro aumento enviado neste momento, acho que vai ficar parado. Porque, com a crise que Estados e municípios vivem, não podemos gerar novas despesas. Até porque, se o governo tiver daqui para frente algum alivio fiscal, financeiro, deveria ser para ajudar Estados e municípios, e não para gerar despesa do governo federal", disse em entrevista ao chegar à Câmara.

O "aviso" de Maia pode prejudicar os planos do governo de apoiar reajustes salariais para categorias do funcionalismo público. Como mostrou o Broadcast no início de novembro, há uma disposição no governo Temer de analisar "caso a caso" essas propostas, após a aprovação final no Senad da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria um teto para os gastos públicos da União.

Maia disse que os dois projetos já aprovados na Câmara que tratam do aumento para servidores da Receita Federal e da Polícia Federal serão os últimos analisados pela Casa. "Não haverá mais nenhum tipo de aumento que será aprovado pela Câmara", disse. De acordo com o parlamentar fluminense, os dois que foram aprovados já estavam acertados pelo governo Temer com as duas categorias. 

"Não é o melhor caminho, mas foi feito. O governo encaminhou. Já estava dentro do déficit de 170 bilhões, então está dentro da previsão orçamentária, não vai gerar nenhum aumento do déficit público. E junto com isso havia uma posição da maioria dos deputados a favor", justificou Maia. "Se dependesse exclusivamente da minha vontade, nenhum dos dois projetos teria avançado", emendou. 

Maia afirmou que a obrigação dele é entender que as coisas não acontecem necessariamente "100% como a gente quer".  "Estamos em uma Casa com 513 deputados. Cada um tem seu espaço aqui, e a maioria quis assim. Agora, o que não podemos é gerar mais nenhuma notícia que gere dúvidas em relação ao ajuste fiscal", afirmou o presidente da Câmara na entrevista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.