André Dusek/Estadão
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Maia diz que revisões de contas externas em curto espaço de tempo geram insegurança

Questionado se as revisões põem em risco a credibilidade dos números, o presidente da Câmara dos Deputados, porém, disse que não

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 19h41

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quarta-feira, 4, que as revisões que alteraram as contas externas do Brasil em um curto espaço de tempo geram insegurança e desconfiança por parte do investidor. 

Maia acrescentou, porém, que não estava questionando o mérito das decisões, mas destacou que o problema é o tempo entre as revisões. "Não estou discutindo o mérito. O mérito pode estar certo. O problema é que uma decisão no final de setembro e uma no início de dezembro estão muito perto uma da outra para fazer uma revisão, então ela gera no mínimo desconfiança e insegurança", disse o deputado.

A primeira correção mencionada por Maia foi a realizada em 23 de setembro, quando o Banco Central promoveu uma ampla revisão nos dados das contas externas do Brasil, alterando as estatísticas contabilizadas desde 2015. O resultado foi um retrato pior do balanço de pagamentos, com déficits maiores da conta corrente e investimentos produtivos menores no Brasil. Em 25 de novembro, o BC promoveu mais uma revisão nos números.

Em função das duas revisões, o rombo em conta corrente de 2018, antes de US$ 14,970 bilhões, saltou para US$ 41,5 bilhões. Na prática, o déficit foi multiplicado por quase três vezes. Em reação, as projeções do mercado financeiro para a conta corrente em 2019 e 2020 também pioraram.

O resultado da conta corrente traduz a relação do Brasil com outros países nas áreas comercial (exportações menos importações), de serviços (gastos com viagens e aluguel de equipamentos, entre outros) e de rendas (pagamentos de juros e remessas de lucros, entre outros).

“Gerou o maior problema. A previsão de crescimento desse déficit para o ano de 2021 passou a ser de 4% do PIB, o que criaria uma dificuldade para o Brasil financiar com poupança externa esse déficit", disse Maia.

No final de novembro, foi a vez de a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia informar que os dados de exportação referentes às primeiras quatro semanas de novembro "sofreram alteração significativa". Com isso, as exportações do acumulado até a quarta semana do mês somaram US$ 13,498 bilhões. O dado divulgado originalmente era de US$ 9,681 bilhões.

Na última segunda-feira, a Secex informou novas revisões: em setembro, o valor exportado passou de US$ 18,921 bilhões para US$ 20,289 bilhões. Em outubro, de US$ 18,231 bilhões para US$ 19,576 bilhões. O BC informou, também na segunda-feira, que deverá promover nova revisão dos números do setor externo, justamente porque os dados da Secex mudaram.

O Ministério da Economia informou que o saldo da balança comercial no acumulado de novembro, antes deficitário em US$ 1,099 bilhão, estava errado e que, na realidade, foi registrado um superávit de US$ 2,717 bilhões. 

De acordo com o governo, o erro aconteceu no cálculo das exportações que, antes da revisão, estavam em US$ 9,681 bilhões. Com a mudança, elas passaram a ser de US$ 13,498 bilhões na parcial de novembro. As importações não foram alteradas, e permaneceram em US$ 10,781 bilhões.

Questionado se as revisões põem em risco a credibilidade dos números, Maia, porém, disse que não, e acrescentou que o "trabalho é técnico" e não tem influência política. "Não tem pressão para mexer no câmbio, segurar câmbio. É uma mudança de critério. Revisão muito rápida gera uma insegurança, mas eu não tenho essa preocupação (com credibilidade)", disse./ COLABOROU FABRÍCIO DE CASTRO

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