Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Maia diz que vai trabalhar contra destaques que possam desidratar a Previdência

Durante evento em Minas Gerais, presidente da Câmara afirmou que está se empenhando para manter o texto apresentado pelo relator

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2019 | 13h14

BRASÍLIA - Além de tentar reincluir Estados e municípios na reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai trabalhar também para que os membros da Comissão Especial que analisa a matéria não apresentem destaques (pedidos de modificações) que possam alterar o texto e "desidratar" a economia esperada com a medida. "Vamos trabalhar para que a comissão mantenha o texto do relator e que a gente não tenha nenhum tipo de destaque que tire a economia", disse na manhã desta sexta-feira, durante evento em Belo Horizonte (MG). 

"Estamos tendo uma pressão final ai de algumas categorias, mas o que eu estava conversando com o presidente do Tribunal de Justiça é que às vezes uma vitória de uma categoria hoje vai ser uma derrota amanhã", afirmou. "Se não reestruturarmos o sistema, são os próprios servidores que vão ficar sem capacidade de receber seus salários porque nenhum ente federado vai ter condição de pagar em dia", afirmou Maia. 

Uma das categorias que tem pressionado por abrandamento das regras é a de policiais. Ontem, o coordenado da bancada do partido de Jair Bolsonaro na comissão, o deputado Alexandre Frota (PSL-RJ), disse ao Estadão/Broadcast que a legenda irá apresentar um destaque em favor dos profissionais da segurança pública. A demanda parte também da bancada da bala da Câmara. A emenda que deve ser apresentada pelo PSL afrouxa a regra de transição, o pedágio e a regra permanente.

Articulação

Maia afirmou ainda que a busca de votos para se aprovar a reforma é uma articulação coletiva entre o Executivo e o Legislativo. "A participação do presidente (Jair Bolsonaro) é claro que é muito importante", disse. 

Essa semana foi marcada por mais um atrito entre os Poderes que acabou respingando na tramitação da reforma, depois que supostas críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao Congresso foram divulgadas. Guedes trabalhou na sequência para baixar a temperatura e convidou Maia para um almoço, juntamente com o presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP), ontem.

Maia confirmou o convite e disse que não compareceu porque já tinha uma palestra agenda em São Paulo há dois meses. "Se eu tivesse em Brasília, teria participado. O mais importante é aprovar a Previdência e sair desses embates transversais que não ajudam o Brasil", disse. O deputado falou ainda que sem a reforma da Previdência, Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, "não vão sair do buraco em que se encontram". 

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