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Photo UN Photo/Eskinder Debebe
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'Se não for em fevereiro, não vota mais', diz Maia sobre Previdência

Presidente da Câmara também afirma ser contra votar reforma tributária antes de equilibrar contas

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2018 | 18h08

Atualizada às 19h38

WASHINGTON - Em encontro na Câmara de Comércio Brasil-EUA nesta terça-feira, 16, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que encara “sem nenhum tipo de otimismo” a votação da Reforma da Previdência, prevista para o próximo mês. Para ele, esse é prazo limite para análise da proposta neste ano. “Se você não conseguir votar em fevereiro, você não conseguirá votar mais.”

A jornalistas, Maia negou que tenha sido pessimista em sua avaliação. “Eu não posso ir para nenhum ambiente no Brasil ou no exterior e mentir. Já tem muito político mentiroso no Brasil, né? Acho que chega. Está na hora de a gente falar a verdade, e a Reforma da Previdência não é uma votação simples”, afirmou.

“Nós temos problemas hoje no Brasil na relação entre o Poder Judiciário e, principalmente, o Poder Executivo. Algumas decisões do presidente têm sido barradas pelo Judiciário, o que é grave”, ressaltou, em referência à liminar que suspendeu a nomeação da deputada Cristiane Brasil (PTB) para o Ministério do Trabalho. “Isso gera algum impasse dentro de um partido que não tem muitos votos, mas para essa votação, onde a gente sabe que não é fácil chegar ao número necessário, isso gera dificuldades e atrasa a capacidade de articulação do governo”, disse aos participantes do evento.

Maia criticou o que vê como “protagonismo excessivo” do Judiciário, exemplificado na liminar que suspendeu a indicação de Cristiane. “Acho que isso está desorganizando o Brasil”, afirmou.

O parlamentar também acusou o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, de mentir sobre a Reforma da Previdência e de usar exemplos de trabalhadores para defender seus próprios interesses. Maia se referiu a uma entrevista dada pelo magistrado ao Jornal do Piauí no início de janeiro e afirmou que ela estava “completamente desconectada da realidade, da verdade, uma coisa grave.” 

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“O juiz Veloso está defendendo o seu interesse e usa o exemplo do trabalhador, do motorista de ônibus, para defender a manutenção dos seus benefícios, da aposentadoria acima de R$ 20 mil, de seus auxílios. Isso tem no Judiciário e tem no Legislativo, e muito”, ressaltou.

O principal desafio do governo será reconstruir sua base de sustentação até lá, observou. Hoje, existe apoio de 250 deputados à proposta e são necessários no mínimo 308 para sua aprovação.

No encontro na Câmara de Comércio, Maia disse que sua prioridade é a votação da Reforma da Previdência, mas ressaltou que a possibilidade de aprovação é encarada “sem nenhum tipo de otimismo, sem nenhum discurso onde a gente diga que essa é uma matéria que estará resolvida em fevereiro”. 

Entre as dificuldades, Maia mencionou a suspensão de decisões do presidente pelo Judiciário, o que classificou de grave. “Estão bloqueando uma decisão do presidente da República. Independente do que as pessoas acham, se deveria ou não nomear a Cristiane, é um absurdo que a Justiça interfira nisso.”

Perguntado sobre sua eventual candidatura à Presidência pelo DEM, o deputado disse que “não está na hora” de falar sobre o assunto e evitou avaliar o potencial impacto da aprovação da Reforma da Previdência sobre as chances de um nome de centro. Mas em todos os seus pronunciamentos, ele apresentou o discurso de eficiência do Estado que está na base de suas propostas. 

“O que fortalece o candidato que quer reorganizar o Estado brasileiro é a gente ter coragem de enfrentar o debate e falar a verdade. Quando o brasileiro que ganha um salário mínimo entender que ele financia a aposentadoria de quem ganha R$ 30 mil, aí sim poderemos ter uma revolta grave no Brasil.”

 

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