GABRIELA BILO/ESTADAO
GABRIELA BILO/ESTADAO

Maia e governo negociam destaques com líderes para retomar votação na Câmara

'Nós topamos ceder em algumas coisas, mas o governo não cede', disse o deputado José Guimarães, do PT, ao deixar o gabinete de Maia

Amanda Pupo, Eduardo Rodrigues e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 16h24

BRASÍLIA - Enquanto a Câmara não reabre a sessão para a discussão e votação dos destaques à reforma da Previdência, o gabinete do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), registra forte movimentação de entrada e saída de deputados e integrantes do governo. Passaram pelo local nesta quinta-feira, 11, a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), e também o secretário especial adjunto da Previdência, Bruno Bianco.

Um pouco mais cedo, Joice afirmou que lideranças estão negociando a retirada de alguns dos 17 destaques que o plenário precisa analisar. Líder do PSB, Tadeu Alencar disse que nenhum acordo foi selado até o momento.

O acerto, segundo ele, seria a oposição abrir mão de destaques e, em troca, o governo aceitaria algumas mudanças. "Mas no fundo não deram muita expectativa", disse Tadeu. Segundo ele, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, também está nas negociações.

O líder do PCdoB, Orlando Silva, disse que a "impressão" é de que a emenda do PDT em torno dos professores "tende a ser aprovada com apoio geral". O destaque busca reduzir de 57 para 55 anos a idade de aposentadoria das professoras na regra de transição, cujo pedágio é de 100% do tempo de trabalho que ainda falta para se aposentar.

A avaliação do governo é de que o impacto da mudança seria maior para Estados e municípios. Segundo Maia, mesmo que esse destaque passe em plenário, a aprovação de outras emendas aglutinativas apresentadas pela base compensaria o efeito para os cofres da União.

O vice-líder da minoria, o petista José Guimarães, saiu do gabinete da presidência da Câmara afirmando que o governo precisa ceder. "Alguém tem que ceder, nós topamos ceder em algumas coisas, mas o governo não cede", disse o deputado, que acredita que o governo não será vitorioso nos destaques como foi na votação do texto-base. "O dado é o seguinte: o governo teve uma vitória grande, teve. Porém não terá nos destaques", disse. "Nós vamos mostrar para eles que agora era melhor o governo negociar os destaques do que insistir voto a voto", afirmou o petista.

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