Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Maior acionista da Oi pede troca de presidente

Gestora GoldenTree disse temer, em carta enviada ao conselho, que futuro da operadora esteja ameaçado caso falte ação de diretoria

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 05h00

A gestora de investimentos GoldenTree Asset Management, maior acionista da Oi, com 14,57% de participação, manifestou preocupação com as finanças da operadora e pediu a troca do presidente executivo, Eurico Teles.

“O conselho deve nomear um CEO (presidente executivo) que possa implementar a reestruturação operacional e buscar as oportunidades de valor agregado descritas pela empresa no seu recém lançado plano estratégico”, escreveu a acionista, numa carta enviada ao conselho de administração. 

A carta tem data de 16 de agosto, dois dias após a divulgação do balanço da Oi referente ao segundo trimestre, quando foi revelado que o prejuízo da operadora subiu 24%, para R$ 1,6 bilhão, enquanto o dinheiro disponível em caixa recuou 17,4%, para R$ 4,3 bilhões.

A GoldenTree disse temer que o futuro da companhia esteja seriamente ameaçado por causa de más tomadas de decisões, resultados financeiro e operacional decepcionantes, e incapacidade de melhorar a governança corporativa. “Acreditamos que esses problemas sérios podem ser resolvidos, mas isso exigirá que a diretoria aja imediatamente antes que o dano à Oi se torne irreversível”, afirmou.

Na semana passada, o Estado antecipou que, com a piora nos números da Oi, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia avisado o governo que poderia até intervir na operadora. O diagnóstico da situação da tele, apresentado à Anatel, indicou que o dinheiro em caixa chegou ao “mínimo necessário” e há previsão de que os recursos terminem em fevereiro se nada for feito.

A GoldenTree era uma das maiores credoras da Oi e se tornou um dos principais acionistas após a transformação da dívida em ações, conforme previa o plano de recuperação judicial aprovado no fim de 2017. Na sequência, a gestora participou ainda do aumento de capital de R$ 4 bilhões, no início de 2019.

A GoldenTree reclamou que os resultados financeiros da Oi têm ficado abaixo do projetado no plano de recuperação, e acrescentou que a queda das ações reflete a visão do mercado de que a companhia continuará se deteriorando, a menos que ocorra uma mudança na gestão.

Incapacidade 

A GoldenTree citou como exemplo que a previsão da Oi para geração de caixa em 2019 é 25,2% inferior ao projetado no plano e 26,2% menor que o estimado por analistas de mercado no início do ano. Além disso, esse mesmo número da Oi também ficou abaixo que das concorrentes TIM e Vivo.

Em outra crítica, a gestora de investimentos disse estar cética quanto à capacidade da atual administração em vender ativos considerados não estratégicos, como as ações da Oi na operadora angolana Unitel. 

“Apesar do otimismo expresso pela administração, temos uma preocupação significativa com a capacidade de gerar liquidez, pois não houve um progresso tangível reportado sobre essas negociações”, afirmou.

Embora o GoldenTree não tenha citado nomes na sua carta, o principal cotado como substituto de Teles é Rodrigo Abreu, que passou a compor o conselho de administração da Oi no ano passado. O nome de Abreu já foi submetido ao juiz da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Fernando Viana, pelo presidente do conselho, Eleazar de Carvalho, segundo fontes. Abreu é ex-presidente da TIM e atual presidente da Quod, empresa de análise de crédito dos cinco maiores bancos do País.

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