Maior banco suíço paga US$ 780 mi e revela sonegadores

UBS foi multado nos EUA por ajudar titulares de conta a migrar para paraísos fiscais e sonegar impostos

Efe,

19 de fevereiro de 2009 | 11h03

O UBS, maior banco da Suíça, vai pagar multa de US$ 780 milhões ao fisco dos EUA por ajudar cerca de 250 titulares de conta a sonegar impostos. A instituição se comprometeu ainda a revelar a identidade dos envolvidos. Nesta quinta-feira, 19, o presidente da Suíça, Hans Rudolf Merz, disse que o sigilo bancário continuará intacto no país, apesar do caso UBS, porque "essa é a vontade do governo" suíço. Merz informou ainda que o país tenta evitar possível indiciamento do UBS em processo nos EUA.   Apesar de o acordo extrajudicial ter sido aceito por um juiz federal de Fort Lauderdale, na Flórida, a possibilidade de indiciamento poderia no pior cenário ameaçar a existência do UBS, algo que o governo suíço quer evitar a todo custo. Merz disse que o UBS é de grande importância para a economia suíça.   Veja também: Entenda o novo plano dos EUA para resgatar bancos De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   Segundo a promotoria dos EUA, "os banqueiros viajaram frequentemente aos Estados Unidos para vender o sigilo bancário suíço a clientes americanos interessados em tentar sonegar impostos de renda". Usaram celulares com códigos cifrados e outras medidas para a proteção de dados, com o objetivo de esconder suas atividades e a identidade dos clientes, indicaram as autoridades americanas.   O governo baseou grande parte de sua investigação nas revelações do ex-banqueiro do UBS Bradley Birkenfeld. Em 19 de junho de 2008, Birkenfeld se declarou culpado de ajudar americanos ricos a ocultar seus bens através da criação de empresas ou contas "fantasmas" em paraísos fiscais. Os americanos não eram identificados como beneficiários dessas empresas e não declaravam o dinheiro ao fisco. Birkenfeld explicou que essas contas contêm US$ 20 bilhões que geram receitas anuais de US$ 200 milhões ao banco. Como parte do acordo, o UBS se comprometeu a fechar os negócios. A lei americana obriga os cidadãos a informar de suas contas no exterior se estas ultrapassarem o valor de US$ 10 mil. Alexander Acosta, promotor do Distrito Sul da Flórida, disse que os diretores do UBS sabiam que essas atividades violavam a lei, mas não fizeram nada para impedir. Birkenfeld será sentenciado em 1º de maio. Além disso, o executivo do UBS Raoul Weil foi acusado de supervisionar a fraude e foi declarado foragido da lei. O fisco busca, agora, os titulares das contas.   (Com Marcílio Souza, da Agência Estado)

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