David W Cerny/Reuters
David W Cerny/Reuters

Maior cervejaria do mundo, AB InBev tem lucro afetado por fraco resultado no Brasil

Ganho líquido da empresa passou de US$ 2,29 bilhões no quarto trimestre de 2015 para US$ 400 milhões em igual período do ano passado

O Estado de S.Paulo

02 de março de 2017 | 05h33

LONDRES - A Anheuser-Busch InBev (AB InBev), controladora da AmBev no Brasil, divulgou nesta quinta-feira, 2, que teve lucro líquido de US$ 400 milhões no quarto trimestre de 2016, bem menor que o ganho de US$ 2,29 bilhões obtido em igual período do ano anterior. A receita por hectolitro subiu 3,9% na mesma comparação, graças a uma redução de custos e a um aumento nas vendas de cervejas do tipo premium, mas o volume total de cervejas diminuiu 3,3%.

O principal fator de fraqueza nos últimos meses de 2016 foi o Brasil. O segundo maior mercado da AB InBev fez com que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa a caísse 33% entre outubro e dezembro ante igual período de um ano antes. Excluindo-se o Brasil, o Ebitda da AB InBev subiu 6,4% no quarto trimestre.

"Foi um ano difícil, mas continuamos comprometidos com um mercado atraente no Brasil e acreditamos ter a estratégia certa para trazer os negócios de volta aos trilhos", comentou o diretor financeiro da AB InBev, Felipe Dutra.

A AB InBev, maior cervejaria do mundo, também elevou sua previsão para as economias que espera obter como resultado da fusão com a SABMiller, de US$ 2,45 bilhões para US$ 2,8 bilhões. O valor inclui US$ 1,05 bilhão em cortes de custos que a SABMiller buscava antes de a fusão ser concluída.

O último trimestre foi o primeiro em que os resultados da SABMiller foram incorporados ao da AB InBev. 

Market share. O presidente da Ambev, Bernardo Paiva, disse que o market share da companhia no mercado de cervejas brasileiro apresentou crescimento no início de 2017. Em teleconferência com analistas e investidores, ele afirmou que há uma tendência positiva de recuperação da participação de mercado da companhia.

Ao ser questionado para as razões da piora nas vendas de cerveja no Brasil, Paiva minimizou o impacto da concorrência. Analistas têm avaliado que competidores - em especial a Brasil Kirin, mais recentemente adquirida pela Heineken - adotaram uma postura de preços mais agressiva e estariam dificultando uma recuperação da Ambev.

"É importante responder que indústria brasileira sempre foi muito competitiva", disse Paiva. "O que aconteceu em 2016 não é relacionado ao que um competidor está fazendo, mas está relacionado ao Brasil", concluiu, mencionando impactos macroeconômicos como a redução da renda disponível para consumo no País. (Dayanne Sousa / DOW JONES)

 

 

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