Maior competição nos cartões começa a derrubar taxas para os lojistas

Corte. Taxa média cobrada das credenciadoras ao varejo caiu 0,7 ponto porcentual, de 3,2% para 2,5%, segundo dados da

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O mercado de cartões de crédito começa a sentir os efeitos das medidas para ampliar a competição, implementadas há dois meses. As taxas cobradas dos lojistas pelas credenciadoras já caíram cerca de 0,7 ponto porcentual e novos competidores, como o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), resolveram entrar nesse mercado, o que deve acirrar a concorrência -o Santander já está atuando no setor, com a GetNet.

Dados preliminares da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) indicam que a taxa média cobrada dos lojistas por transação com cartões de crédito caiu da casa dos 3,2% para 2,5%. A queda ocorre por conta das negociações entre as credenciadoras e os comerciantes, sobretudo os de médio e menor porte, segundo o diretor da CNDL, Roberto Alfeo.

Desde o dia 1.º de julho, os terminais da Cielo, que antes eram exclusivos da Visa, leem cartões da Mastercard e American Express. Os da Redecard passaram a capturar transações para a Visa. Mas, até agora, os comerciantes têm preferido ficar com os dois terminais, das duas principais credenciadoras (leia texto ao lado). Não há dados oficiais sobre essa movimentação.

Segundo o diretor da CNDL, muitos comerciantes, especialmente os de pequeno porte, não sabem que podem ficar só com um terminal. Os especialistas das empresas de cartões dizem que boa parte dos comerciantes vai ficar com os terminais das duas credenciadoras por conta de eventuais problemas tecnológicos. Assim, se a rede de uma cair, como ocorreu no Dia das Mães, por exemplo, as transações migram para a outra rede.

Outros comerciantes preferem manter as duas máquinas por conta da aceitação dos cartões. A Cielo ainda não aceita todos os vales-refeição e alimentação. Só começou a aceitar os cartões da Ticket, por exemplo, no mês passado - e ainda não aceita outros vales de benefícios, como o VR. A Redecard não aceita o Visa Vale ainda.

Mas os comerciantes estão sentido maior competição entre as duas credenciadoras. Tanto a Cielo como a Redecard, que dominam 90% do mercado, têm feito ações com lojistas para tentar mantê-los em sua rede de clientes. A Redecard, por exemplo, dá cupons que sorteiam prêmios ao proprietário do estabelecimento toda vez que um determinado volume de transações passar por seus terminais. Além disso, o preço do aluguel do POS (como chama o terminal que faz a leitura dos cartões) tende a cair. O Santander não tem cobrado esse valor, que varia de R$ 80 a 200.

Disputa. O próprio contrato da Caixa Econômica Federal anunciado no começo do mês mostra que as duas credenciadoras estão disputando transação por transação. O banco vinha desde o começo do ano com um processo para selecionar um credenciador e surpreendeu o mercado ao manter a Cielo e a Redecard.

No modelo anunciado, a Cielo tem 30% dos clientes da Caixa e a Redecard, o restante. "A parceria é uma chance de aumentarmos esse porcentual", considera o presidente da Cielo, Rômulo Mello Dias. Segundo ele, o fato de a empresa ter credenciado lojistas em praticamente todos os municípios brasileiros é um dos pontos que podem contribuir para aumentar as operações com a Caixa, banco também presente em regiões remotas do País e com muitos clientes da baixa renda.

A expectativa dos analistas para os próximos anos é que a Cielo e a Redecard tenham queda nas receitas com transações, por causa da redução da taxa cobrada dos lojistas. Os analistas Rafael Ferraz e Sergio Goldman, do Safra Banco de Investimento, preveem queda de 20% nas taxas cobradas dos lojistas até 2012 e queda de 35% nas receitas com o POS, por conta da redução do aluguel. "O efeito real da concorrência só será visto em 2011", destaca relatório do banco distribuído a clientes.

PARA LEMBRAR

Governo passou a monitorar setor em 2008

O setor de cartões passou a ser alvo do governo em 2008, após liderar o ranking de reclamações do Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) em 2007. A divulgação de um relatório sobre o setor elaborado pelo Banco Central, no ano passado, foi o estopim para o início das discussões sobre o tema.

O documento mostrou que duas empresas (Redecard e Visanet, atual Cielo) concentravam a maior parte das operações no País, concluindo que essa falta de concorrência resultava em taxas altas para o consumidor final.

Uma das propostas estudadas para acabar com esse duopólio foi justamente o fim da exclusividade no credenciamento das bandeiras, que aconteceu efetivamente em julho.

Atualmente, uma das discussões é o tabelamento e a diminuição do número de tarifas cobradas pelos cartões.

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