Imagem Fábio Gallo
Colunista
Fábio Gallo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Maior o risco, maior o retorno?

Se for admitido que para ter altos retornos basta correr alto grau de risco, eu estaria dizendo que há certeza de ganhos em aplicações de risco elevado.

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2020 | 05h00

As pessoas perguntam constantemente se é correta a afirmação de que quanto maior o risco, maior o retorno. Embora coloquialmente possamos até falar isso, a resposta pontual é que a frase não é correta. Se fosse verdade bastaria correr mais risco para ter grandes retornos. Mas, como sabemos, as coisas não acontecem bem assim. Se for admitido que para ter altos retornos basta correr alto grau de risco, eu estaria dizendo que há certeza de ganhos em aplicações de risco elevado. Isso evidentemente não é verdade. 

Por outro lado, é absolutamente verdadeira a afirmação de que investir sem risco não haverá grandes retornos. Não adianta esperar aumentar exponencialmente a riqueza deixando o dinheiro na renda fixa com a taxa básica de juros a 2% ao ano. 

A afirmação correta à questão deve ser que, quanto maior o risco, maior o retorno “esperado” sobre o investimento. Maior retorno existe justamente para recompensar o nível elevado de risco. O que devemos fazer é equilibrar a relação entre risco e retorno.  Embora a busca de equilíbrio na relação risco e retorno seja algo consagrado, com a queda de juros muitos investidores, não somente no Brasil, mas ao redor do mundo, voltaram-se para a renda variável. Particularmente para a compra das ações de baixa capitalização, conhecidas como “small caps” – ações de empresas menores que oferecem altos retornos, mas que são mais arriscadas do que as empresas maiores. 

Um dos argumentos para esse tipo de investimento é que, por ser de pequena capitalização, pode iludir analistas e investidores. Em outros termos, pode ser uma pechincha. A ideia é aplicar um pequeno valor e obter retornos alavancados. Um exemplo citado é de quem comprou Netflix em 2008 pagou US$ 4 e hoje está perto de US$ 500 por ação. 

No entanto, dados do mercado americano mostram que as ações das grandes empresas superam a small caps em cinco dos últimos seis anos. Em 2020, o S&P 500, de grande capitalização, deu retorno de 5%. Enquanto o SPDR S&P 600, de baixa capitalização, caiu 9,8%. No Brasil, de 2014 a 2019, o Ibovespa subiu mais de 135%, ao passo que o índice das small caps (SMLL) subiu 126%.

Neste ano, o índice geral perdeu 14,4%, enquanto o das pequenas caiu 15,4%. Mas o que chama atenção é que no mercado americano o ETF S&P 500, apelidado de Spider, tem US$ 297 bilhões em ativos; já o ETF S&P 600 detém US$ 1 bilhão. A tentação de achar uma pepita de ouro é grande.

É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.