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Maior parte da ajuda aos países pobres não vem dos mais ricos

A cada reunião entre os países ricos, como o G8 (os sete países mais industrializados, mais a Rússia), os diversos governos insistem que estão comprometidos em ajudar os países mais pobres. Para saber quem são de fato os países ricos que mais se preocupam com o futuro das economias pobres, portanto, uma entidade decidiu criar um ranking e descobriu algo inusitado: não são as maiores economias do mundo quem mais ajudam. Segundo o índice estabelecido pelo grupo Centro para o Desenvolvimento Global, a Holanda, seguida pelos países escandinavos são quem mais se comprometem e implementam ações para combater a pobreza no mundo. Os Estados Unidos vêm apenas na 13ª colocação entre as 21 economias mais ricas do mundo. O ranking é elaborado a partir de sete critérios: ajuda financeira, liberdade de comércio, investimentos nos países pobres, políticas de migração, políticas ambientais, manutenção da paz e transferência de tecnologia. Para os analistas, esses setores afetam diretamente o futuro dos países em desenvolvimento. Uma constatação que também surpreendeu os analistas é a posição do Japão como último da lista de países ricos que lutam contra a pobreza. Tóquio contribui menos para o desenvolvimento de países pobres que Portugal, Espanha ou Grécia. Um dos problemas dos japoneses são as importantes barreiras ao comércio de produtos dos países emergentes. Além disso, a ajuda financeira dada pelo Japão é uma das menores comparado com a renda do país. Isso sem contar com a política de imigração dura. Em 2005, esses países doaram US$ 106,5 bilhões a projetos em economias pobres, um recorde. Mas os dados devem ser analisados com atenção. Desse total, US$ 20 bilhões são cancelamento de dívidas, principalmente as do Iraque. Na prática, essa política acaba não sendo a mais eficiente para garantir que o dinheiro chegue de fato a quem necessita. Outros US$ 6,3 bilhões são parte de programas americanos no Iraque. No caso dos Estados Unidos, a qualidade do dinheiro gasto pelos americanos nos países pobres também é questionada pelo estudo. Uma parcela significativa vai para a segurança em locais como Afeganistão, Paquistão ou Iraque. Um volume significativo ainda é condicionado. Ou seja, Washington envia recursos, mas exige que o dinheiro seja gasto na contratação de serviços ou produtos americanos. "As vidas de bilhões de pessoas poderiam melhorar na próxima década se os países ricos reformassem seu comércio, migração e políticas de investimento", afirmou David Roodman, que trabalhou na elaboração do índice. Segundo ele, ajudar os países mais pobres "não é só dar dinheiro". "Os países ricos precisam tomar a responsabilidade por lutar contra a pobreza", concluiu.

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