Maior parte da bancada do PT apóia o acordo com FMI

Poucas horas depois de anunciar a renovação do acordo com o FMI, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, recebeu o apoio da maioria da bancada do PT, reunida em jantar na residência do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). A discussão do acordo explicitou, mais uma vez, a divisão do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em três faccões. Na avaliação feita por parlamentares do campo majoritário, o acordo foi excelente e o governo brasileiro abrirá novos horizontes na relação com o fundo, além de garantir recursos para investimentos em saneamento básico, um setor que o governo do PT deseja pôr sua marca. O núcleo favorável ao acordo tem cerca de 40 deputados e, entre eles, está o deputado João Paulo Cunha, que aplaudiu a negociação com o FMI. ?Pela primeira vez, o Fundo fez um acordonesses termos com um país que está bem?, ressaltou. ?Não há hipótese de o acordo barrar o crescimento do país?, completou o deputado professor Luizinho (PT-SP). No jantar, o ministro Palloci fez uma exposição ampla dos termos do acordo, mas ouviu críticas de deputados considerados mais à esquerda, sobretudo à manutenção do superávit de 4,25% do PIB. É justamente o mesmo grupo, calculado em 20 parlamentares, que está sempre protestando contra iniciativas do governo, especialmente na área econômica. As críticas mais duras no jantar partiram de deputados como Chico Alencar (PT-RJ), João Alfredo (PT-CE ) e Ivan Valente (PT-SP), que estavam suspensos das atividades que envolviam a bancada e do partido por terem votado contra a reforma da Previdência. Esses deputados estão, inclusive, coletando hoje assinaturas para um manifesto contra o acordo com o FMI numa posição frontal ao ministro Antonio Palocci. Na bancada do PT ? a maior da Câmara ? ainda há outro setor que ontem questionou o acordo, mais com o objetivo de entender suas regras do que de atacá-lo em toda sua extensão. Esse grupo, que ficaria no centro das três faccões, faz restrições ao acordo mas acompanha a decisão do governo. É o caso, por exemplo, do líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), que apesar de oriundo da esquerda, acaba fechando com o governo nas decisões mais polêmicas acompanhando a posição da maioria.

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