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Maior parte dos países cortou o juro após a crise

Em 52 nações avaliadas, 28 baixaram a taxa, 17 mantiveram, incluindo o Brasil, e sete a elevaram

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

O agravamento da crise global, a partir do dia 15 de setembro, quando quebrou o banco de investimentos americano Lehman Brothers, provocou o afrouxamento da política monetária na maior parte do mundo. O Brasil faz parte de um grupo menor de nações, que manteve a mesma taxa básica de juros que vigorava naquele mês. Os dados são de um levantamento da LCA Consultores. O trabalho revela que 28 países, de um total de 52, cortaram a taxa. Outros 17, entre os quais o Brasil, não a alteraram. Há, ainda, sete que a elevaram. Os números dos outros países foram atualizados até sexta-feira.O movimento de baixa não ficou restrito aos países desenvolvidos, que enfrentam recessão e, por isso, foram obrigados a reduzir brutalmente o custo dinheiro para estimular a atividade. Há emergentes que também seguiram o mesmo caminho, como a China, a Índia, a Coréia do Sul e a Turquia. Na ponta contrária, destacam-se a Hungria, onde a taxa básica saiu de 8,5% para 11% ao ano, a Islândia (de 15,50% para 18%) e a Rússia (de 11% para 13%). Não por acaso, são três das nações que mais têm sofrido com a crise. As duas primeiras tiveram de recorrer a empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI). A Islândia, especificamente, chegou a declarar-se insolvente. "O juro também cairá no Brasil, mas em um timing (momento) diferente", diz o economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani. Segundo ele, isso ocorre por três razões. Em primeiro lugar, o crescimento aqui vinha forte, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, que já enfrentavam desaceleração. O segundo ponto é o impacto inflacionário da desvalorização do real ante o dólar - que não ocorreu como se esperava, mas ainda pode chegar. Por fim, Padovani cita a questão institucional. "O Banco Central é continuamente pressionado e não tem autonomia formal." Por isso, argumenta, sempre precisa reforçar a sua independência. O economista Paulo Tenani, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), tem outra explicação. A taxa de juros brasileira, diz ele, é resultado do risco Brasil acrescido do juro pago pelos bônus de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos e do prêmio que os investidores cobram pelo risco cambial do País. Diferentemente da maioria de seus colegas, ele afirma que o juro básico brasileiro é formado lá fora. Os números atuais expressos pelo mercado significariam uma Selic entre 12% e 12,5%. "Ou seja, não há mesmo muito espaço para cortar o juro no País hoje, pois o risco Brasil varia rapidamente", afirma. Em outras palavras, uma oscilação rápida do risco faria a conta chegar perto dos 13,75%, nível atual da Selic. REAÇÃO28 países de um total de 52 cortaram a taxa básica de juros desde a quebra do banco Lehman Brothers17 nações mantiveram suas taxas de lá para cá, entre elas o Brasil7 países elevaram a taxa no período

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