Maior perda com câmbio no 3º trimestre é da Aracruz

Produtora de celulose registrou perdas de R$ 2,1 bilhões com derivativos entre julho e setembro

Cesar Bianconi, da Agência Estado,

27 Outubro 2008 | 18h20

A Aracruz é até o momento a empresa não-financeira integrante do Ibovespa que apresentou a maior perda contábil no terceiro trimestre pelo uso de instrumentos derivativos. A maior produtora mundial de celulose de eucalipto registrou uma despesa financeira consolidada de R$ 2,462 bilhões de julho a setembro, incluindo variações monetárias e cambiais. O resultado financeiro foi liderado por perdas de R$ 2,1 bilhões com derivativos e levou a companhia a um prejuízo líquido de R$ 1,642 bilhão. Veja também:Maioria das empresas da Bolsa apostou na alta do realLições de 29A crise de 29 na memória de José MindlinVeja o que muda com a Medida Provisória 443Veja as semelhanças entre a MP 443 e o pacote britânico Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  Uma das operações com derivativos de câmbio que fez a Aracruz contabilizar um prejuízo bilionário no terceiro trimestre estabelece que a empresa tenha uma perda equivalente a duas vezes a variação cambial, caso ela ocorra em direção distinta à aposta feita pela Tesouraria da companhia. Nessa transação, a empresa e a contraparte, normalmente uma instituição financeira, estabelecem uma taxa de câmbio e com base nos fechamentos da PTAX de cada mês fazem os ajustes, com perda para um lado e ganho para o outro. A mineradora Vale, por sua vez, informou que a variação da marcação a mercado das transações da companhia com derivativos foi negativa, gerando impacto contábil não caixa de R$ 1,777 bilhão no terceiro trimestre. "Entretanto, como nossas transações com derivativos protegem a estabilidade do fluxo de caixa em dólares e não possuem caráter especulativo, seus resultados positivos ou negativos são compensados por variações de receitas, custos e dívida em dólares americanos na direção oposta", segundo a empresa. Tanto a Aracruz como a Vale têm a maior parte de suas receitas indexadas ao dólar, enquanto a maioria dos custos, despesas e investimentos estão atreladas principalmente em reais. No caso da Vale, há também gastos em dólares canadenses, na subsidiária Vale Inco. A Klabin, maior produtora de papéis para embalagens do País, tinha no final de setembro apenas dois contratos de venda de dólar futuro de US$ 160 milhões, o primeiro de US$ 100 milhões com vencimento no quarto trimestre deste ano e o segundo de US$ 60 milhões para o primeiro trimestre de 2009. Esses contratos geraram um efeito negativo no resultado financeiro no balanço de julho a setembro de R$ 27,270 milhões, dos quais R$ 20 milhões ainda não liquidados. Brasil Telecom A Brasil Telecom Participações, em seu balanço do fechamento de setembro, disse ter contratado operações com opções de dólar norte-americano visando à proteção do fluxo de caixa atrelado à dívida em moeda estrangeira contra altas significativas no câmbio. Ao final do setembro, tais operações registravam um ganho líquido de R$ 3,7 milhões. "Essas operações referem-se à aquisição de opções de compra financiadas plenamente pela alienação de opções de venda, sendo o preço de exercício idêntico em ambas as operações", segundo a empresa de telecomunicações. O vencimento dessas operações ocorrerá em fevereiro de 2009, quando a BrT terá a obrigação de comprar US$ 64 milhões, caso a taxa de dólar esteja abaixo do preço de exercício, ou o direito de adquirir US$ 80 milhões, caso a taxa de dólar esteja acima do preço de exercício definido pelas partes. A VCP, empresa de papel e celulose do Grupo Votorantim, teve uma despesa financeira de R$ 131,810 milhões no resultado do terceiro trimestre pelo reconhecimento do valor justo das operações de venda futura de moeda estrangeira para proteger seu fluxo de caixa, segundo as notas explicativas do balanço. A operadora de TV por assinatura Net foi a única entre as empresas com ações no Ibovespa que revelou os nomes das contrapartes de seus contratos de swap de variação cambial e taxa de juros: bancos Votorantim, Pactual e Santander. Em 30 de setembro, existiam contratos derivativos em aberto da Net com valor de referência de quase US$ 42 milhões. A companhia apurou uma perda de US$ 650 mil no terceiro no período encerrado no mês passado com esses contratos. Finalmente, a fabricante de cosméticos Natura comunicou em suas notas explicativas do terceiro trimestre que tem contratado operações financeiras visando à proteção da exposição de seus passivos à variação cambial e taxa referencial (TR) decorrente de contratos de financiamentos e atividades operacionais. "Essas operações consistem em trocar o passivo em moeda estrangeira ou determinado indexador por um passivo corrigido por um percentual do CDI", segundo a empresa, que contabilizou um ganho contábil de pouco menos de R$ 6 milhões com esses contratos de julho a setembro.

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