Werther Santana/Estadão
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Maior térmica a óleo do País paralisa 16 de 17 turbinas

Em momento de dificuldade das hidrelétricas, usina Suape 2, em Pernambuco, reduz produção de 381,2 MW para apenas 22 MW

ANDRÉ BORGES, Vinícius Neder, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2015 | 02h05

BRASÍLIA - No momento em que o governo precisa do máximo de energia térmica para poupar os reservatórios das hidrelétricas, a maior usina do País movida a óleo saiu do ar. Uma pane grave ocorrida nas máquinas da térmica Suape 2, instalada em Cabo de Santo Agostinho, no Estado de Pernambuco, paralisou praticamente toda a unidade.

Com capacidade instalada de 381,2 megawatts, suficiente para atender quase 2 milhões de residências, a usina térmica vinha trabalhando próxima de sua carga máxima por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Desde terça-feira, porém, Suape 2 tem gerado somente 22 megawatts, com apenas uma das suas 17 máquinas em operação. Essa redução de 360 megawatts equivale à metade de toda a energia que o ONS tem deixado de acionar do parque térmico nacional por causa de paralisações de manutenção das máquinas.

Perguntas. O Estado questionou a Petrobrás sobre a paralisação da usina. A estatal reencaminhou as perguntas à Suape Energia, sociedade em que atua ao lado da Savana SPE Incorporadora, empresa controlada por Carlos Mansur.

A empresa informou que "avarias graves" tiraram de operação 3 das 17 máquinas de Suape 2. As panes, ocorridas em novembro, dezembro e janeiro, levaram a uma "ordem de parada" emitida pela finlandesa Wartsila, responsável pelo projeto, construção, montagem, operação e manutenção da térmica.

"Com a parada das máquinas, os motores da usina estão agora passando por detalhada inspeção, com eventual troca de alguns componentes, com o objetivo de se evitar a repetição daquelas avarias", declarou a empresa.

Cronograma. Não se trata de problemas simples de serem resolvidos. O cronograma fornecido pela Wartsila, segundo a Suape Energia, aponta que a retomada plena das 17 turbinas só será possível a partir de abril. Até o fim deste mês, a empresa espera que ao menos cinco motores voltem à operação comercial.

As máquinas usadas em Suape 2 estão em atividade desde janeiro de 2013. O consórcio negou que a causa das panes esteja relacionada ao uso intensivo das turbinas. "O atual nível de despacho da usina sempre foi uma condição possível", informou a empresa.

Mansur. Instalada no Porto de Suape, a usina tem 100% de sua energia vendida para 35 distribuidoras em diversas regiões do País. A planta pertence à Petrobrás, que detém 20% de participação, e ao empresário Carlos Mansur, dono dos demais 80%.

Dono do Banco Industrial do Brasil (BIB), Mansur adquiriu o controle acionário em janeiro de 2013, quando Suape 2 entrou em operação. A fatia de 80% pertencia ao grupo Bertin, empresa que teve de devolver diversas concessões de térmicas em razão de complicações financeiras.

A geração térmica tem respondido por cerca de 22% do consumo diário de energia elétrica em todo o País. Essas usinas somam uma capacidade total instalada de 22 mil megawatts mas na prática apenas 16 mil megawatts costumam ser efetivamente utilizados, já que restrições operacionais e manutenções afetam diariamente cerca de 5 mil a 6 mil megawatts.

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