Maioria da classe média já tem casa própria

Levantamento do Data Popular também mostra que 7,9 milhões de famílias querem comprar um imóvel

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h07

A maioria das famílias brasileiras da classe média já possui casa e apartamento próprios. Segundo um levantamento nacional do Instituto Data Popular, 75% das famílias estão nessa condição, enquanto 18% vivem de aluguel, e 7% em moradias cedidas.

O instituto segue o critério de classificação socioeconômica da Secretaria de Assuntos Estratégicos. As famílias inseridas na classe média têm renda mensal entre R$ 1.110 e R$ 3.875. Elas somam 31,4% da famílias ou 54% dos domicílios brasileiros.

No recorte por região, a maior concentração de brasileiros com casa própria está no Nordeste (80%). O menor número está no Centro-Oeste. Nos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás e o Distrito Federal, a posse de casas e apartamentos é de 62%, enquanto 28% são residências alugadas e 10% cedidas.

"As pessoas no Nordeste passaram a ter uma relação mais forte com o seu local de moradia, com a sua terra. Isso também é consequência da diminuição da migração e do aumento do emprego na região", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.

O levantamento também apontou que 7,9 milhões de famílias pretendem adquirir um imóvel nos próximos dois anos. "Essa demanda de quase 8 milhões não pode ser traduzida pela fuga do aluguel. Na verdade, estamos falando de novas famílias que estão surgindo e que não querem morar na casa dos pais", afirma Meirelles.

Na prática, de acordo com ele, existe uma nova geração de brasileiros que está constituindo família. "A classe C ganha 1,2 milhão de novas famílias por ano. Parte é de pessoas que estão casando e constituindo família e parte é de pessoas que saem da classe D", afirma o diretor do instituto.

Em 2009, de acordo com o Data Popular, a quantidade de brasileiros da classe média que pretendia adquirir um imóvel era bem inferior a atual, de apenas 2 milhões de famílias. "Esse crescimento pode estar relacionado com o Minha Casa, Minha Vida (programa habitacional do governo federal). Para uma parcela da população, o programa mostrou que é possível adquirir um imóvel", afirma Meirelles.

A pesquisa também mostra que 8 em cada 10 famílias que pretendem comprar um imóvel usariam um financiamento. As demais pagariam com recursos próprios à vista ou por meio de consórcio.

A alta demanda por financiamento imobiliário deve ajudar a impulsionar o crédito do setor. A expectativa é que o crédito habitacional represente a maior fatia da carteira da pessoa física a partir deste ano, ultrapassando o pessoal.

Em 2012, a diferença foi pequena, segundo dados do Banco Central. O crédito habitacional representou 25% de toda a carteira física. O resultado foi 0,3 ponto porcentual menor do que o pessoal. Os principais motivos que pesaram para o crescimento do crédito imobiliário nos últimos anos foram as taxas mais acessíveis e o aumento da renda e do emprego.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.