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Maioria das apostas é pela manutenção da Selic

O ambiente de expectativas do mercado deve ter peso expressivo na decisão que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar hoje no horário do almoço. Basicamente, os diretores do Banco Central vão decidir pela manutenção da taxa de juros referencial da economia, a Selic, nos atuais 18,5% ao ano ou pelo corte do juros. Dos bancos e consultorias ouvidas pelo repórter Francisco Carlos de Assis, da AE, 19 apostam na manutenção da taxa, três num corte de 0,25 ponto e 1 em baixa de 0,50. Mesmo entre a maioria que espera manutenção da taxa, porém, há muitos analistas que não descartam absolutamente a possibilidade de um corte. O principal argumento para cortar o juro seria a inflação, que veio baixa nos últimos indicadores de preço (IPC) ao consumidor. Para os que esperam Selic estável, o argumento principal é a turbulência do mercado, que vem pressionando o dólar e o risco País. Ontem, por exemplo, a moeda americana fechou acima de R$ 2,70, ante cerca de R$ 2,50 no Copom anterior, enquanto o risco País passou novamente de 1.300 pontos. Como o dólar pode pressionar a inflação futura, e isto já vem aparecendo nos preços ao atacado do IGP-M, a pressão cambial deveria impedir o BC de baixar o juro. O repasse do câmbio aos preços, contudo, depende de pelo menos dois fatores: Um deles é a persistência da alta. Se houver uma percepção de que a alta do dólar poderá refluir, o repasse será baixo e o BC não terá motivos para maior preocupação. Outro fator é a atividade econômica. Atividade maior facilita repasses, que, por outro lado, são desestimulados pelo desaquecimento econômico. Este segundo fator jogaria hoje a favor da queda do juro, dado que a economia está com baixo crescimento. No caso do primeiro fator, contudo, há mais dúvidas. Autoridades da equipe econômica vêem dizendo que o câmbio está em "overshooting", o que significa que o dólar tenderia a ceder, mas as apostas no mercado têm ido no sentido oposto. As mesmas autoridades seguem afirmando que a inflação está sob controle, o que também sugere queda da Selic. Com inflação, de um lado, e a dupla dólar-risco, de outro, dividindo as análises sobre os juros, alguns analistas chamam a atenção para o fator expectativa. O mais importante, neste momento, seria o BC mostrar confiança nos fundamentos e impedir um aprofundamento do mal-estar da economia real diante de mais um adiamento da queda da Selic. Embora a maioria do mercado evite o termo "viés político" para o BC, admite-se que um corte do juro poderia também favorecer as expectativas no campo político. Contudo, esta "administração de expectativas" é complexa. Tudo vai depender de o mercado "comprar" a decisão do BC, qualquer que ela seja. Da mesma forma que há analistas que consideram que o corte da Selic traria alívio, também há muitos que pensam o contrário. Estes mais arredios focam a análise na alta do dólar e do risco País e consideram que seria uma contradição o BC baixar o juro num momento em que tenta ser cauteloso em outras frentes contra a turbulência do mercado. Por esta linha de pensamento, a manutenção, e não o corte, da Selic, é que ajudaria a melhorar as expectativas. Números do mercadoÀs 10h22, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,7130, com queda de 0,04% em relação aos últimos negócios de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagam taxas de 22,700% ao ano, frente a 22,800% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 0,36%.

Agencia Estado,

19 de junho de 2002 | 10h27

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