Maioria do mercado espera manutenção de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá manter mais uma vez a taxa básica de juros inalterada, em 18,50% ao ano, segundo previsões de 21 de um total de 25 instituições financeiras ouvidas pela Agência Estado. A reunião de junho do comitê iniciada hoje termina amanhã com a definição da taxa de juros de referência para a economia brasileira nos próximos 30 dias. Para os analistas, a decisão de junho poderá ser tão ou mais apertada que a de maio, quando foram contabilizados 5 votos a 3 pela manutenção da taxa de juros. Isso porque apesar da volatilidade do mercado, há hoje uma convicção para a queda de 0,25 ponto porcentual do que há 30 dias, quando estava iniciando o processo de marcação a mercado dos fundos e o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra ainda não estava bem nas pesquisas de intenção de votos. Aproveitando o clima de Copa do Mundo, o economista-chefe do Banco Santander, André Loes, acredita que "o patamar dos juros amanhã deverá ser decidido aos 45 minutos do segundo tempo". O Santander aposta na manutenção da taxa de juros, mas segundo seu economista-chefe a decisão será difícil porque do ponto de vista da inflação o BC tem espaço para o corte. Não é o que acontece, porém, do ponto de vista do mercado, que encontra-se bastante volátil, com o câmbio e a taxa de risco País em elevação. Mônica Oliveira, economista do Banco Brascan, concorda com a análise de Loes. Segundo ela, o BC deverá manter os juros em 18,50% ao ano, apesar de ter espaço do lado da inflação para cortar pelo menos 0,25 ponto porcentual. Alexandre Mathias, economista-chefe da Unibanco Asset Management, acredita que pela agenda da inflação a taxa de juros poderia ser cortada em até 0,50 ponto porcentual. "Mas o conjunto de riscos, que inclui câmbio, risco Brasil e petróleo não permite uma redução de juros neste momento. "Achamos que até o fim do ano a taxa de juro deverá sofrer um corte de até 150 pontos bases, mas não agora". Para Mathias, a mensagem do presidente do Banco Central em entrevista ao Programa Bom Dia Brasil é de que o Copom vai no sentido da âncora (inflação), mas não para esta reunião. "Se vier um corte de 0,25 ponto agora, será mais para gerar uma agenda positiva, uma vez que a economia vem sendo dominada por uma agenda negativa", disse. Economista-chefe do Banco Fibra, Guilherme da Nóbrega, o Comitê de Política Monetária deverá analisar o que realmente será tranquilizador para o mercado. "Alguns acham que tranqüilizaria mais o mercado se a taxa de juros fosse reduzida. Outros defendem como tranquilizador para o mercado a manutenção. Nós achamos que o melhor é a manutenção. O economista-chefe da Itaú Corretora, Marco Maciel, acha que o BC deveria baixar a taxa de juros. "Mas dado a piora do cenário, elevação do dólar e risco Brasil, a decisão do Copom será conservadora.Para o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (IBEF), Carlos Alberto Bifulco, seria uma incoerência o BC cortar juros agora que foi elevada o compulsório e existe uma busca grande por dólares pelo próprio BC. "A redução de juros agora criaria um problema de arbitragem, com os papéis internos passando a ter uma rentabilidade bem próxima dos papéis no exterior", diz Bifulco. Contrariando as opiniões anteriores, o economista-chefe do Banco Santander, Eduardo de Faria, defende um corte de 0,50% na taxa de juros amanhã. Luiz Carlos Costa Rego, economista do Banco Sul América de Investimentos, e a Tendências Consultoria Integrada esperam um corte de 0,25% na taxa de juros.

Agencia Estado,

18 de junho de 2002 | 18h21

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