Maioria dos analistas aposta na manutenção dos juros em 16,5%

De um total de 51 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado, 47 prevêem manutenção da taxa básica de juros em 16,5% ao ano na 93ª reunião Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que termina nesta quarta-feira. A maioria dos analistas, ou 92,15% do universo consultado, acredita que o BC será coerente com a ata da reunião de janeiro, que mostrava preocupação com a taxa de inflação, em especial com a previsão para o acumulado no primeiro trimestre como um canal de transmissão que poderia contaminar os três últimos trimestre do ano.Esse fator já está ocorrendo, na opinião do economista-sênior do BankBoston, Marcelo Cypriano. Ele cita a expectativa para a inflação nos três primeiros meses do ano, segundo as instituições Top 5 do Banco Central, que subiu de 1,70% para 1,90%. O mesmo raciocínio foi utilizado no cálculo de Elson Teles, economista e sócio da Fides Asset Management. "Se havia justificativa para o BC manter os juros no mês passado, agora tem mais ainda", afirmou, após replicar o modelo usado pelo BC.Outro indicador que está preocupando o mercado e que foi destacado na última ata do Copom é o índice de difusão de inflação, que subiu de 68,4% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechado de dezembro para 70,9% no primeiro mês deste ano. O índice de difusão é o que identifica o número de produtos com movimentos altistas dentro do IPCA relativamente ao total de produtos que compõem o índice. Esta é uma variável que está sendo monitorada pelos economistas do Banco Santander, que também aposta na manutenção da Selic.Já para o analista Cristiano Souza, da MB Associados, este indicador não oferece risco porque há uma série de outros fatores que barram a disseminação de preços, como baixo rendimento da população e desemprego. "Não vemos ameaça inflacionária", resumiu. O diretor financeiro da Nossa Caixa, Rubens Sardenberg, afirma não vê nenhuma mudança substancial na lista de problemas apontados pelo Banco Central na ata da sua última reunião. Portanto, mesmo esperando que a Selic será mantida no atual patamar, ele acredita que o BC poderia reduzi-la para 16,25% porque a inflação se mostrou, em grande parte, pressionada por fatores sazonais e os preços das commodities no exterior e a taxa de crescimento da economia, pouco expressiva, não condizem com a atual taxa de juros.Para alguns analistas, os diretores do BC não reduzirão os juros este mês para não demonstrarem que estão perdidos entre números e expectativas. Um dos que apostam na manutenção por este motivo é o superintendente do Banco Rendimento, Carlos Eduardo de Andrade Júnior. Outros salientam que, neste momento, mais importante do que a decisão em si é o recado que será passado para a próxima reunião, a partir da primeira nota que é divulgada logo após o anúncio da nova taxa.Entre os que projetam queda da taxa de juros, o destaque fica para o chefe de Tesouraria do Société Générale, Flávio Bojikian, que espera uma redução de 1 ponto porcentual da Selic, para 15,5% ao ano. Na opinião dele, os últimos indicadores de inflação não vieram tão ruins quanto previa a ata da reunião de janeiro. Na mesma linha otimista, mas demonstrando um pouco mais de cautela estão os representantes das instituições Cruzeiro do Sul, Planner Corretora e Clickinvest, que prevêem um corte de 0,25 ponto porcentual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.