Maioria dos analistas espera alta de 0,50 pp da Selic

Se o Banco Central teve êxito na coordenação das expectativas do mercado financeiro desta vez, seus diretores deverão votar pelo aumento da Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião do Copom, que será realizada terça e quarta-feiras da próxima semana. Isto porque de 53 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado, apenas duas apresentaram apostas diferentes para o Copom de novembro que não sejam a elevação da taxa básica de juros para 17,25% ao ano.Enquanto a Ático Asset Management espera uma decisão mais conservadora (de 0,75 pp), o DKW do Brasil prevê um movimento menos brusco ao aguardar uma elevação de 0,25 pp.O inusitado, no entanto, sempre pode ocorrer. Na reunião do mês passado, a alta de 0,50 ponto porcentual pegou de surpresa a maior parte do mercado. Segundo a pesquisa da AE daquele mês, apenas cinco analistas de um universo de 51 entrevistados contavam com a alta maior. Os demais projetavam um aumento de 0,25 pp. Alguns entrevistados, atribuíram o "erro das projeções" a um desencontro de informações entre o mercado e a autoridade monetária.Os argumentos dos que esperam uma nova alta de 0,50 pp são praticamente os mesmos: o Copom deixou claro na ata de outubro que o ritmo do ajuste da Selic seria mantido e os fundamentos que mais pesaram na reunião do mês passado - como a deterioração das expectativas de inflação para 2005, incertezas em relação ao hiato do produto e a disparada do preço do petróleo - pouco se alteraram desde a última decisão.Para alguns dos analistas consultados, outro fator foi extremamente relevante para a aposta de meio ponto porcentual: o café da manhã de alguns agentes do mercado no dia 5 deste mês com o diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman."O café da manhã com o diretor do BC mudou totalmente os mercados", afirmou a gerente de operações do Banco Rendimento, Ana Cristina Tobias. "As perspectivas que estavam mais amenas tornaram-se mais conservadoras, já que Alexandre Schwartsman disse que o BC estava mais preocupado em cumprir a meta de inflação de 2005 do que com o rumo dos preços do petróleo", acrescentou Ana Cristina. Ela foi uma das analistas que alteraram sua projeção de alta da Selic em novembro de 0,25 pp para 0,50 pp após o evento.Para o economista-chefe da Unibanco Asset Management (UAM), Alexandre Mathias, que já havia decifrado na ata do Copom de agosto que ocorreriam três elevações e que o ritmo a partir de outubro seria de 0,50 pp, o encontro pouco interferiu em sua avaliação. "Eu já esperava um aumento maior em função daquela ata, mas talvez o café da manhã tenha ajudado parte do mercado a se sintonizar com o BC", disse. Segundo ele, o comportamento do petróleo, das expectativas e do hiato do produto desde a última reunião não sugerem alteração da tendência. "Tudo indica que este plano continuará valendo", afirmou, referindo-se à seqüência de altas da taxa.A Ático Asset Management, que está no teto das expectativas, prevê que o BC dê de uma só vez o aumento da Selic que é esperado pelo mercado em pelo menos duas doses (parte em novembro e o restante em dezembro). Por isso, sua estimativa é de elevação de 0,75 pp este mês, seguida de estabilidade no último mês do ano, o que, segundo o sócio-gestor da instituição, Ricardo Junqueira, acalmaria o mercado. "Acredito que a atividade econômica do País está maior do que o BC queria", disse. "O BC terá de dar um tapa mais forte na economia se quiser atingir o novo centro da meta de 2005, de 5,1%", completou.Na outra ponta, a perspectiva de que a alta será de 0,25 pp tem base na queda do preço do petróleo no mercado internacional desde a reunião do Copom de outubro e na estabilidade da produção industrial de setembro ante agosto, segundo a avaliação do economista do DKW, Nuno Camara.

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