Maioria dos analistas prevê queda da Selic para 18,5% ao ano

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina hoje, deve resultar em um corte de 0,5 ponto porcentual para a Selic - a taxa básica de juros da economia. Com isso, o juro cairia de 19% para 18,5% ao ano. Esta é a aposta da maioria dos analistas ouvidos pela Agência Estado. Das 53 instituições pesquisadas, 51 acreditavam na queda de 0,5 ponto porcentual. Mas, diante dos últimos números da atividade econômica, já há quem acredite em uma decisão mais agressiva do BC, ou seja, uma redução de 0,75 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 18,25% ao ano. O primeiro motivo para uma redução maior dos juros é o controle da inflação, que é fator determinante nas definições do Copom para a taxa Selic. A meta de inflação para este ano é 5,1%. No acumulado do ano, até o final de outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - índice usado como referência para a meta de inflação - está em 4,73%. As alterações nas taxas de juro agora não interferem na inflação presente. O fato é que os efeitos da política de juros sobre os preços demoram até seis meses para serem percebidos. Isso significa que qualquer mudança no juro agora terá influência sobre a inflação de 2006. A última pesquisa Focus do Banco Central mostrou que, para 2006, as estimativas de IPCA caíram de 4,60% para 4,55%, depois de terem ficado estáveis por cinco semanas seguidas. Com a queda, as previsões de inflação para o próximo ano ficaram mais próximas da meta central de 4,5% já fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Neste ano, os analistas esperam que a inflação medida pelo IPCA fique em 5,53%, pouco acima da meta de inflação para 2005. Apesar disso, o porcentual estimado ainda se encontra dentro do intervalo de tolerância da meta central de 4,5% para 2005 (que é de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo). Dólar em queda: pressão menor sobre inflação Além da alta do juro, a queda da inflação também tem sido influenciada pela depreciação do dólar frente ao real. Isso porque, com o real mais forte, a importação de matéria-prima fica mais barata. Também há uma concorrência maior entre os produtos importados e os brasileiros, o que contribui para a queda dos preços. No ano, o dólar já acumula uma queda de -15,34% Alguns efeitos do juro alto para economia PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE SETEMBRO A SETEMBRO Ante mês anterior Ante igual mês do ano anterior Setembro 2004 0,5% 7,5% Outubro -0,7% 3,3% Novembro 1,0% 7,8% Dezembro 0,8% 8,3% Janeiro 2005 -0,5% 6,0% Fevereiro -1,5% 4,1% Março 1,5% 1,8% Abril 0,1% 6,4% Maio 1,2% 5,6% Junho 1,6% 6,4% Julho -2,1% 0,7% Agosto 0,9% 3,7% Setembro -2,0% 0,2% A política de juros mais altos, que acaba reduzindo a alta de preços - principal intenção do BC - provoca efeitos paralelos, como o desaquecimento econômico, já que o crédito para as empresas fica mais caro. Além disso, desestimula o consumo, o que também contribui para a queda da atividade econômica. A taxa Selic está em alta desde setembro do ano passado, quando foi passou de 16% para 16,25% ao ano. Ela continuou em alta até agosto deste ano, quando chegou a 19,75% ao ano. Ou seja, uma alta acumulada de 3,75 pontos porcentuais. Por conta do juro alto, vários setores da economia já deram sinais de desaquecimento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, desde junho, a produção industrial vem oscilando. Também de acordo com o Instituto, a produção da indústria fechou o terceiro trimestre deste ano com queda de 0,7%. Trata-se do pior resultado desde o apurado no segundo trimestre de 2003, quando a produção indústria recuou 0,9%.

Agencia Estado,

23 Novembro 2005 | 05h53

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