Maioria dos aumentos de salário está abaixo da inflação

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo Dieese mostra que das 149 negociações salariais realizadas no primeiro semestre deste ano 54% não conseguiram recuperar a as perdas com a inflação pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Nos primeiros seis meses de 2000 e 2001, 68% das negociações resultaram em reajuste equivalente ou superior à inflação. Para o Dieese, o fato prova uma fase de dificuldade para os trabalhadores conseguirem aumento real do salário. Entre as categorias com data-base no primeiro semestre deste ano estão a construção civil, os condutores metroviários e professores da rede particular de ensino.Segundo o Dieese, cresceu o número de reajustes concedidos em parcelas. Para o supervisor da entidade, José Silvestre Prado de Oliveira, é possível que esteja despontando uma tendência conjuntural importante no padrão das negociações salariais. "As empresas estão utilizando o recurso patronal de parcelar os índices de reajuste salarial ao longo dos meses subsequentes à data-base", disse.De acordo com o Dieese, de 1997 a 2002, o parcelamento do aumento subiu de 2% para 9%. Neste ano, a prática parece, segundo Oliveira, estar se difundindo em maior escala. "Em 33% dos acordos analisados nos primeiros seis meses deste ano o reajuste convencionado não foi aplicado de imediato aos salários, mas decomposto em parcelas a serem incorporadas aos vencimentos dos trabalhadores no transcorrer do primeiro e segundo semestres", afirmou. Ainda de acordo com ele, dois terços dos parcelamentos deixou resíduo, ou seja, a reposição salarial ficou aquém da inflação dos últimos 12 meses anteriores à data-base.

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