Maioria dos gregos acha novas medidas de austeridade injustas

A maioria esmagadora dos gregos considera que as novas medidas de austeridade prometidas pelo governo a seus credores internacionais em troca de mais ajuda financeira são injustas e prejudicam os segmentos mais pobres da sociedade, mostrou uma pesquisa neste sábado.

Reuters

22 de setembro de 2012 | 18h22

A endividada Grécia precisa da aprovação da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (MI) para medidas avaliadas em quase 12 bilhões de euros para ativar a próxima tranche de auxílio, sem a qual ela deve enfrentar um default e uma possível saída da zona do euro.

A coalizão liderada por conservadores atualmente no poder está enfrentando dificuldades para encontrar um equilíbrio entre as demandas de seus credores internacionais e de eleitores insatisfeitos, que não veem uma luz no fim do túnel de austeridade.

Mais de 90 por cento dos gregos acreditam que os cortes de gastos e as reformas planejadas são injustas e prejudicam os pobres, mostrou uma pesquisa da agência MRB.

Ainda assim, 67 por cento dos pesquisados desejam que a Grécia continue na zona do euro.

Até agora, o governo gregou acordou 9,5 bilhões de euros em cortes de gastos -- a maior parte dos quais consiste em redução de salários, pensões e benefícios de bem-estar social.

A Grécia também planeja elevar a idade de aposentadoria de 65 anos para 67 anos e reduzir gastos relativos aos setores militar e de saúde.

A pesquisa foi conduzida entre 18 e 20 de setembro, enquanto o governo e inspetores da troika composta por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e FMI esforçaram-se para elaborar o novo pacote de austeridade.

Eles não conseguiram chegar a uma acordo na última rodada de reuniões antes de a troika deixar Atenas neste fim de semana. As negociações, marcadas por tensão e discórdia a respeito da reforma do setor público, devem continuar em uma semana, quando os inspetores retornarem a Atenas.

No meio tempo, o principal sindicato dos setores público e privado planeja entrar em greve durante 24 horas na quarta-feira, a primeira grande demonstração de insatisfação desde que um novo governo assumiu o poder em junho.

De acordo com a MRB, o partido conservador Nova Democracia venceria novamente se eleições fossem realizadas agora, mas o maior partido da oposição, a legenda de esquerda radical Syriza, estreitou a diferença de 1,8 por cento para 0,5 por cento.

(Reportagem de Renée Maltezou)

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