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Maioria dos presidentes não fala inglês

Segundo levantamento da Catho, apenas 13,7% dos dirigentes de empresas dominam completamente o idioma

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

Apesar de estar disseminada a idéia de que no primeiro time das empresas todos os executivos falam inglês (ou algum idioma estrangeiro) com fluência, a realidade não mostra exatamente isso. Segundo um levantamento do grupo de recrutamento Catho, apenas 13,7% dos presidentes de empresas brasileiras falam inglês fluentemente. "Apesar de haver mais pessoas fluentes em inglês no primeiro escalão das empresas de grande porte, ainda assim o número é bastante baixo", diz o diretor da Catho, Constantino Cavalheiro. "Se for necessário buscar uma pessoa com um 3º idioma, então, a tarefa fica complicadíssima." Um dos sócios da Arc Talent Recruiters, Francisco Ramirez, diz que mais complicado que achar um executivo fluente em inglês é achar um fluente em espanhol. "Todos afirmam que falam a língua. Mas, no mundo dos negócios, ?portunhol? não resolve", diz. Ele afirma receber com freqüência pedidos de busca de executivos fluentes em línguas estrangeiras. "Recentemente têm chegado pedidos de mandarim. Sempre que chega um pedido com exigência de idiomas, eu questiono a empresa sobre as funções do executivo, pois nem sempre um segundo idioma precisa realmente ser um pré-requisito."Para Cavalheiro, o essencial é o conhecimento profundo do inglês. "Esse é o idioma dos negócios. Antes de se aventurar por uma 3ª língua, o executivo deve ser capaz de se expressar bem em inglês e se sentir seguro para negociar nessa língua." A partir do momento em que o inglês está garantido, ele aconselha que a 3ª língua esteja relacionada ao dia-a-dia da empresa. "Se for uma empresa francesa, o francês. Espanhola, o espanhol e assim por diante." O espanhol, após o inglês, é a língua mais falada pelos executivos brasileiros, seguida pelo italiano e o francês.Para atender essa demanda executiva, escolas e empresas estão fazendo parcerias. A Aliança Francesa, maior rede de ensino de francês do mundo, tem parceria no Brasil com empresas de origem francesa e escolas, como Accor, Carrefour, Peugeot, Fundação Getúlio Vargas e ESPM para realizar aulas no próprio local de trabalho. "Há cerca de 350 empresas de origem francesa no Brasil", diz o presidente da Aliança Francesa no País, Pierre Jean Dossa. "Para os executivos que desejam trabalhar em cargos voltados para o comércio exterior ou ter um contato maior com a matriz, seja de que país for, conhecer a língua é fundamental."O conhecimento da língua é o primeiro passo para um maior conhecimento da cultura dos outros países. "Esse talvez seja o maior desafio. Se o executivo não consegue se comunicar, não vai pegar as nuances de cada cultura", diz o consultor da DBM, Pedro Frascino.O diretor de operações internacionais da Sadia, Guillermo Hendersen, diz que seu conhecimento de idiomas foi tão valioso quanto o diploma, para a ascensão profissional. Fluente em espanhol (que aprendeu em casa) e inglês, logo chegou à área de exportações de uma empresa de engenharia mecânica. "Depois, na Sadia, essa segurança nos idiomas me permitiu não só ter mais contato com os países que falam essas línguas como conhecer outras culturas", conta. O executivo morou na Europa e no Oriente Médio. "Quem pretende um dia trabalhar nessas áreas precisa saber se comunicar. Nenhuma empresa pode correr o risco de um acordo ser fechado sem que ambas as partes tenham compreendido exatamente os termos do negócio."

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