Thiago Teixeira/Estadão
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coluna

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Mais brasileiros recorrem ao crédito rotativo, apesar de alto custo

Quantidade de dinheiro emprestado foi 20% maior em dezembro; modalidade cobrou juros de 319% em 2019

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 05h00

Correções: 17/02/2020 | 14h10

A quantidade de dinheiro emprestado via crédito rotativo no cartão aumentou. Em dezembro do ano passado, foram R$ 41,1 bilhões concedidos, ante R$ 34,2 bilhões no mesmo período de 2018 – o que significa um aumento de 20% do crédito concedido nesta modalidade. 

O cliente entra no “rotativo do cartão” quando não efetua o pagamento completo da fatura e quita apenas o valor mínimo ou atrasa a data de vencimento da conta. Dentro disso, o que também aumentou foi a inadimplência: do valor total emprestado no rotativo, R$ 25,1 bilhões dizem respeito a faturas atrasadas. Em 2018, esse valor era de R$ 19,9 bilhões. Os dados são do Banco Central.

Na busca de conhecer melhor os hábitos de quem usa regularmente o cartão de crédito e de entender o que leva o brasileiro a continuar adquirindo esse tipo de empréstimo emergencial, o Guiabolso – aplicativo de gestão financeira – realizou uma pesquisa com seus usuários.

O estudo concluiu que quanto menor a renda do consumidor, mais ele usa, proporcionalmente, o limite disponível. A pesquisa dividiu os cartões em três grupos: Gold, relativo aos usuários que têm renda de R$ 1 mil a R$ 7 mil; Platinum, de R$ 7 mil a R$ 15 mil; e Black, acima de R$ 15 mil. Para a faixa salarial mais baixa, chega a 13% o grupo de pessoas que usaram mais de 50% do limite. Já para a mais alta, essa porcentagem é de 10%.

“A diferença pode parecer pequena, mas estamos falando de 30% a mais de pessoas na faixa salarial mais baixa que comprometem acima de 50% do seu limite no cartão de crédito”, diz o diretor de Produto e Tecnologia do Guiabolso, Julio Duran. 

Ele explica que o crédito liberado pelo emissor do cartão é o resultado da análise da renda do cliente somado ao seu relacionamento com o banco e seu histórico de pagamento. O problema no orçamento, no entanto, costuma acontecer quando o consumidor passa a contar com o crédito do cartão para dar conta dos seus gastos. 

“O risco de ter um limite muito grande é ‘ter corda para se enforcar’ e cair no rotativo, que é um crédito caro”, diz Duran.

Custa mais

De fato, essa modalidade de empréstimo pesa no orçamento. A taxa de juros média do crédito rotativo subiu 0,6 ponto porcentual em dezembro em relação a novembro. Assim, ela fechou 2019 em impressionantes 318,9% ao ano. No ano, o crescimento foi de 33,5 pontos porcentuais. 

“O banco avalia os riscos de emprestar o dinheiro e não o risco para o orçamento do cliente. A instituição espera que, uma vez que o cliente é considerado bom pagador, se houver uma emergência, ele vai parcelar a fatura. Essas empresas contam, sim, que uma hora o cliente vai extrapolar e cair no rotativo”, diz o planejador financeiro pela Planejar, Janser Rojo. 

Para ele, o maior uso proporcional do limite por pessoas que têm renda mais baixa mostra que, como neste caso a quantidade de crédito oferecida também é menor, é mais fácil consumi-la. Além disso, ele pontua que, em geral, quanto mais baixa é a faixa salarial, menor costuma ser a educação financeira dessas famílias. “Quem ganha menos pode acabar sendo mais dependente do uso do cartão”, concorda Julio Duran. Essa dependência, em geral está ligada à falta de conhecimento dos reais custos de um crédito que está, literalmente, à mão.

Facilidade

É consenso entre os especialistas que a rapidez em acessar os créditos emergenciais como o rotativo do cartão e o cheque especial é o que mais contribui para o seu uso irresponsável. “Hoje os gastos com o cartão de crédito são muito rápidos e parecem inofensivos. É uma corrida no aplicativo de transporte, um pedido de delivery em outra plataforma e, quando você vê, a fatura do mês te surpreende”, diz Duran, do Guiabolso.

Para aprender a lidar com as armadilhas que o crédito dessa modalidade traz para o consumidor, o planejador Janser Rojo indica que, na hora de estabelecer o orçamento do mês, o consumidor divida seus gastos por categorias, indicando o quanto ele pode gastar em cada área da sua vida como alimentação, diversão, vestuário, aluguel, entre outras.

Sendo assim, o ideal é que só se use o cartão de crédito quando houver dinheiro disponível para aquela parte do orçamento. “Quando o cartão de crédito é usado desta maneira, só há vantagens e o risco de cair no rotativo fica longe. É possível aproveitar as milhas, os programas de cashback e ainda ter a vantagem de manter o dinheiro em conta até o vencimento da fatura”, diz Rojo.

Já para quem tem problemas recorrentes com as faturas do cartão, a solução pode ser um pouco mais agressiva. Nesse caso, os especialistas recomendam que o consumidor peça ao banco para reduzir o seu limite disponível, de maneira a forçá-lo a reduzir seus gastos. 

Correções
17/02/2020 | 14h10

Os valores do crédito rotativo do cartão foram apresentados em milhões de reais, mas o volume correto é em bilhões.

A seguir os valores corretos:

A quantidade de dinheiro emprestado via crédito rotativo no cartão aumentou. Em dezembro do ano passado, foram R$ 41,1 bilhões concedidos, ante R$ 34,2 bilhões no mesmo período de 2018. 

O que também aumentou foi a inadimplência: do valor total emprestado no rotativo, R$ 25,1 bilhões dizem respeito a faturas atrasadas. Em 2018, esse valor era de R$ 19,9 bilhões. 

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