Mais caro, filme 3D eleva renda dos cinemas

De janeiro a agosto, público cresceu 13,3% e bilheterias tiveram aumento de 24% no País

Glauber Gonçalves / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

A disseminação das salas de cinema 3D está gerando números tão impressionantes para o mercado exibidor quanto os efeitos visuais que o público pode conferir nas sessões que utilizam a nova tecnologia no País. Enquanto o público chegou a 87,7 milhões de pessoas de janeiro a agosto, 13,3% a mais que no ano passado, a renda das salas atingiu R$ 822,3 milhões, alta de 24%.

Os números mais expressivos, no entanto, são os de agosto, considerado um mês de ressaca para o mercado, em razão de poucos lançamentos de blockbusters de Hollywood. No mês passado, houve aumento de 54,8% no público e um salto de 61,6% na renda dos exibidores, puxados por dois lançamentos de sucesso, mostram números do site Filme B, especializado nesse mercado.

A renda tem crescido acima do público por causa do preço mais alto das sessões em 3D. Em um cinema da zona sul do Rio, o espectador paga R$ 19 para assistir a um filme convencional e R$ 27 por uma produção 3D.

"O mercado está muito aquecido. O público realmente abraçou a tecnologia 3D", conta Pedro Butcher, do Filme B. Ele afirma que as projeções para o segundo semestre são bastante positivas. "Depois de um primeiro semestre meio morto em filmes nacionais, setembro teve o lançamento de Nosso Lar", diz, sobre o filme baseado na obra de Chico Xavier, que está atraindo grande público aos cinemas.

Com o crescente interesse dos brasileiros pelo cinema, as empresas estão aportando recursos em novos projetos. Em junho, desembarcou no País a mexicana Cinépolis. Depois de implantar um complexo de oito salas em Ribeirão Preto (SP), a rede vai inaugurar mais 32 até o fim do ano em quatro Estados. O plano é abrir mais 100 em 2011 e outras 150 em 2012.

"No México, nós temos 2.100 salas. Isso é quase o total de salas existentes no Brasil", comenta Paulo Pereira, gerente de marketing e programação da empresa no Brasil. Segundo ele, como a companhia via pouco espaço para crescer no México, apostou no Brasil. "Há um potencial muito grande de expansão do número de salas e de expectadores no País." A empresa pretende investir R$ 500 milhões no Brasil em três a cinco anos.

Projetores. Satisfeita com os resultados deste ano, a rede Cinemark também planeja novos complexos. "Os investimentos em salas 3D devem continuar a crescer. Isso faz com que possamos aproveitar mais os lançamentos que estão se multiplicando. No ano passado foram 12, e neste devem chegar a 30", diz o presidente da Cinemark Brasil, Marcelo Bertini.

"O 3D só não cresceu mais porque faltaram projetores. Quando a crise foi resolvida nos Estados Unidos, o financiamento deslanchou e a prioridade foi suprir o mercado local. Quem não tinha reservado projetores ficou sem", explica Butcher.

Entre o fim deste ano e o primeiro trimestre de 2012, a Cinemark espera tirar do papel projetos de 100 novas salas, todas em shoppings. Apesar de os primeiros projetos da Cinépolis estarem nesses centros, a rede não pretende se restringir a eles. "Não vai haver shoppings suficientes para que o setor cresça tudo o que pode", diz Pereira.

Em junho, o governo federal também decidiu entrar em campo para ajudar a impulsionar a expansão. A Ancine lançou o programa Cinema Perto de Você, que pretende criar 600 salas em cidades e regiões pouco atendidas em quatro anos. Trata-se de um conjunto de mecanismos e ações de crédito, investimento e desoneração tributária.

O agente financeiro é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Beatriz Werneck, do departamento de cultura, entretenimento e turismo do banco, o programa terá R$ 300 milhões do fundo setorial da Ancine e R$ 200 milhões do banco. "Temos recebido muitas ligações de empresas interessadas e já há duas operações em análise."

Para atrair a emergente classe C, as empresas estão apostando em projetos inusitados. Em parceria com a Inovação Cinemas, o Carrefour pretende inaugurar complexos em dois de seus supermercados até o fim do ano. O primeiro deve ser em Sulacap, bairro da zona oeste do Rio. A outra será no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.