REUTERS / Susana Vera
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Mais da metade dos brasileiros tem internet, mas pobres seguem menos conectados

No penúltimo ano, 95,4 milhões de brasileiros com 10 ou mais anos de idade navegaram na rede, dizem dados do IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2016 | 10h00

RIO- O acesso à internet alcançou pela primeira vez mais da metade da população do País em 2014: 95,4 milhões de brasileiros com 10 ou mais anos de idade navegaram na rede em 2014. Mas o avanço ainda foi insuficiente para eliminar as diferenças de acesso entre as faixas de renda. Os pobres permanecem menos conectados.

Os dados são do Suplemento de Tecnologias de Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O acesso à internet aumenta conforme a faixa de renda do cidadão. Entre os que possuem renda domiciliar mensal per capita de até ¼ de salário mínimo, apenas 28,8% têm acesso à rede. Embora tenha avançado 4,9 pontos porcentuais no período de apenas um ano, quando apenas 23,9% desse contingente acessava a rede, o porcentual ainda é muito inferior ao total de pessoas que acessam a internet na faixa com renda superior a dez salários mínimos: 91,5%.

Em 2014, 54,4% da população com 10 anos ou mais de idade utilizaram a Internet pelo menos uma vez nos 90 dias que antecederam a entrevista para a pesquisa. O resultado representa um aumento de 5,0 pontos porcentuais em relação ao ano anterior.

Segundo o IBGE, quanto mais jovem, maior o uso da internet. O pico ocorre no grupo de 15 a 17 anos, com 81,8% dessa população conectada, e vai declinando com o avanço da faixa etária. Na faixa mais avançada, com mais de 60 anos, apenas 14,9% dos indivíduos acessam a internet. No entanto, o País tem mais idosos conectados. Em 2013, apenas 12,6% deles navegavam na rede.

"Os jovens utilizam mais a internet, mas o acesso cresceu em todos os grupos de idade", ressaltou Helena Oliveira Monteiro, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O uso da internet mostrou ainda relação direta com escolarização, ocupação e tipo de profissão. Quanto mais escolarizado, maior o acesso à rede. No grupo com 15 anos ou mais de estudo: a conectividade chegou a 92,1% dos indivíduos. No grupo que possui até um ano apenas de estudo, somente 5,2% acessam a internet.

Em 2014, mais da metade (59,2%) das pessoas ocupadas usava a internet, enquanto essa proporção entre as não ocupadas era de 48,2%. Mas ambos os grupos tiveram aumento em relação a 2013: 5,4 e 4,3 pontos porcentuais, respectivamente.

Todos os grupamentos ocupacionais também registraram uma proporção maior de pessoas com acesso à rede em relação a 2013. Os membros das forças armadas e auxiliares registraram a maior proporção de pessoas que utilizavam a Internet (94,9%), seguidos pelos profissionais das ciências e das artes (93,7%), trabalhadores dos serviços administrativos (89,3%), técnicos de nível médio (87,1%) e dirigentes em geral (86,1%). Os únicos grupamentos com proporção de conectados inferior a 50% foram os trabalhadores dos serviços (49,7%) e os trabalhadores agrícolas (13,8%).

Os trabalhadores com menor alcance à internet foram os que estavam ocupados nas atividades Agrícola (com apenas 14,5% deles com acesso à rede), Serviços domésticos (35,7%) e Construção (41,8%). Apesar do resultado, os empregados dos Serviços domésticos tiveram o maior aumento em relação ao ano anterior, com expansão de 7,4 pontos porcentuais no total de conectados.

O avanço na conectividade em geral foi impulsionado pelo crescimento no porcentual da população com 10 anos ou mais de idade que tinha telefone celular para uso pessoal: 136,6 milhões de pessoas, o equivalente a 77,9% das pessoas nessa faixa etária. Em relação a 2013, esse contingente aumentou 4,9%.

Em 2014, pela primeira vez, mais da metade (52,5%) da população rural com 10 anos ou mais de idade tinha celular. Nas áreas urbanas, entretanto, o porcentual chegou a 82,3%.

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