TV Estadão | 27.08.2015
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Mais de 1 milhão de brasileiros perdem emprego com carteira e desocupação vai a 8,7%

Desemprego medido pela Pnad Contínua atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2012; no mesmo trimestre do ano passado, taxa estava em 6,9%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2015 | 09h07

Atualizado às 12h21

RIO - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 8,7% no trimestre encerrado em agosto de 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, no mesmo trimestre do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua ficou em 6,9%. Nesse período, ou seja na comparação com o trimestre que vai de junho a agosto de 2014, a quantidade de empregados com carteira de trabalho assinada recuou em 1,1 milhão.

No trimestre móvel até maio deste ano, a taxa havia sido de 8,1%. A comparação do trimestre até agosto ante o trimestre até maio é feita para que não haja repetição das informações coletadas, já que a cada mês, segundo o IBGE, são visitados 33% dos domicílios da amostra.

"Em geral, todos os grupamentos estão perdendo formalização, principalmente o comércio, que é canal de entrada para aquele que perde o emprego e acaba montando o próprio negócio", disse coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Desempregados. O número de desempregados em todo o País aumentou 29,6% entre os meses de junho a agosto ante igual período do ano passado. Isso significa que 2,008 milhões de pessoas passaram a buscar uma vaga nesse período.

Com isso, o Brasil tinha, nos três meses até agosto, 8,804 milhões de desempregados. Trata-se do maior nível da série, iniciada em janeiro de 2012. O crescimento da população desocupada também foi recorde na pesquisa, que tem informações desde março de 2013 no confronto anual.

A maior procura por emprego é o principal combustível para o avanço da taxa de desocupação. A força de trabalho, que inclui as pessoas que têm emprego ou estão atrás de uma vaga, cresceu 2,2% no trimestre até agosto ante igual período de 2014. Ou seja, 2,197 milhões de pessoas ingressaram na população ativa.

Só que a geração de vagas foi insuficiente para acomodar esse contingente. No mesmo tipo de confronto, a população ocupada avançou 0,2%, isto é, foram abertos 189 mil novos postos de trabalho em todo o País. O restante ficou na fila de desemprego, contribuindo para a maior taxa de desocupação.

"O mercado de trabalho não está absorvendo a população que está deixando a população fora da força de trabalho", disse coordenador do IBGE. "Houve queda de mais de 1 milhão de empregos com carteira em um ano. Isso é perda de estabilidade do domicílio. A busca por estabilidade faz com que mais pessoas sigam para o mercado de trabalho, que não está contratando, pelo contrário", detalhou.

Assista: Queda no consumo derruba emprego no Brasil

Emprego doméstico. Segundo Azeredo, o trabalho doméstico voltou a crescer em 2015, o que é um indicador desfavorável, pois é resultado de falta de oportunidades e de demissões em outras atividades. "As pessoas não nascem com o sonho de ser empregada doméstica. Elas não estão tendo oportunidade de se inserir ou, como estão sendo dispensadas, recorrem ao trabalho doméstico", disse Azeredo.

Em anos anteriores, o emprego doméstico encolheu devido à maior escolaridade dos brasileiros e do crescimento de oportunidades de emprego. Isso beneficiou principalmente mulheres jovens, que conseguiram se inserir no mercado de trabalho por meio de outras atividades, inclusive com carteira assinada. "Isso está se desfazendo agora", notou o coordenador.

O rendimento do trabalhador doméstico, por sua vez, está encolhendo. A queda foi de 0,1% em relação ao trimestre encerrado em agosto de 2014. Já no confronto com os três meses até maio deste ano, o recuo foi mais intenso, de 2,7%.

Renda. A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.882,00 trimestre até agosto de 2015. O resultado representa alta de 1,0% em relação ao período de junho a agosto de 2014 e recuo de 1,1% ante os três meses até maio deste ano. 

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 167,8 bilhões no trimestre até agosto de 2015, alta de 1,2% ante igual período do ano passado e recuo de 1,1% ante o trimestre até maio deste ano.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa tem por objetivo substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas e será encerrada em fevereiro de 2016, e também a Pnad anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano. 

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