Mais de 100% do preço do carro vira imposto

Cinco anos após a compra de um carro novo, o consumidor pode adquirir outro com o que pagou em impostos. No carro popular, 102% do seu valor vai para os cofres do governo. O levantamento é do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).Os tributos começam a incidir na hora da compra. Para um modelo 1.0, são pagos, em tributos, 29% do seu valor. No preço do veículo estão incluídos o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A lista de impostos continua com o pagamento anual do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA); da CPMF, desembolsada cada vez que o proprietário abastece o carro; além do licenciamento anual e emplacamento. E mais uma vez o contribuinte não escapa de pagar 2,7% de PIS e 12,45% de Cofins no preço do combustível.Nessa conta entra ainda o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). De acordo com o Dieese, o tributo foi incluído pois a maioria das vendas de veículos é feita por financiamento, que cobra IOF. De acordo com o Dieese, do preço total de um automóvel top de linha, 59% do seu valor vai para o governo. No primeiro ano de uso, o porcentual sobe para 73%, e no quinto ano chega a 107%. Impostos em excesso prejudicam o consumo De acordo com o tributarista Antônio Carlos do Amaral, os impostos embutidos no valor de um automóvel são exemplo da política tributária suicida do País. Como o Brasil está sofrendo com a desaceleração da economia, o governo busca recurosos nas riquezas já existentes. Segundo Amaral, a população mais prejudicada com isso é a classe média, que poderia ser a grande impulsionadora do consumo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.