Mais de 200 fábricas de calçados de Franca dão férias coletivas

Unidades começam a paralisar produção, que será retomada em janeiro, quando voltam as encomendas

RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO / FRANCA , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h05

Mais de 200 fábricas de calçados de Franca, no interior paulista, começaram a fechar suas portas a partir desta semana para retomarem a produção somente em janeiro. Nesse período em que há escassez de pedidos, os trabalhadores ganham férias ou têm o contrato rescindido. Em janeiro, com a Couromoda -uma das principais feiras do setor -, e a retomada dos pedidos, a produção volta à ativa e os sapateiros retornam ao trabalho.

Este ano, porém, algumas fábricas darão férias a apenas uma parte dos empregados, enquanto outras seguirão com os turnos normais de trabalho. Isso porque determinadas indústrias sentem ainda os bons ventos da economia e garantem ter pedidos suficientes para manterem a produção a todo vapor. Mas ainda assim, o número de trabalhadores parados cresce consideravelmente na cidade.

Na Regional do Ministério do Trabalho têm sido registrados mais de 200 pedidos de seguro desemprego por dia. Segundo o responsável pelo local, Jamil José Leonardi, nessa época do ano isso é comum. Quase a totalidade desses pedidos é de sapateiros que sabem que no início do ano terão o emprego novamente. Em Franca, há pouco mais de mil empresas calçadistas, a maioria médias e pequenas, e boa parte delas para por pelo menos 15 dias na virada de ano. A expectativa é que mais da metade dos 30 mil trabalhadores do setor cruze os braços.

Para poder fechar a produção e conceder férias coletivas aos funcionários, as empresas precisam seguir alguns trâmites. Entre outras medidas, têm de comunicar o Ministério do Trabalho e o sindicato da categoria com no mínimo 15 dias de antecedência, informando a data de início e fim da paralisação. Também precisam informar os empregados que vão parar e os setores atingidos. Até o início da semana, perto de 200 fábricas já haviam oficializado a dispensa dos empregados ao Sindicato dos Sapateiros, número que ainda deve aumentar.

Salários. No fim da tarde de quarta-feira, houve a primeira reunião entre representantes dos sapateiros e das indústrias para discutir o reajuste salarial da categoria. Fábio Cândido da Silva, presidente do Sindicato dos Sapateiros, disse que assembleias foram realizadas nas próprias fábricas para se montar a pauta de reivindicações.

Entre as reivindicações da categoria constam PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 90 horas, abono escolar, aumento real de salário, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e fim do banco de horas.

Levantamento da diretoria regional do Ciesp, divulgado na quarta-feira, aponta que a região de Franca (englobando 19 municípios) apresentou resultado negativo de emprego no setor industrial em novembro.

A variação ficou em -3,34%, o que significou uma redução de aproximadamente 1.600 postos de trabalho. Já no período de um ano (últimos 12 meses) o resultado foi ainda pior, de -10,98%, representando redução de 5.750 vagas.

O índice do nível de emprego industrial na região de Franca foi influenciado pelas variações negativas dos setores de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-19,88%), Produtos Alimentícios (-3,59%), Artefatos de Couro, Calçados e Artigos para Viagem (-2,25%) e Máquinas e Equipamentos (-1,95%).

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