Mais de 21 mil operários da Volkswagen param por 24 horas

Mais de 21 mil operários de três das cinco fábricas da Volkswagen no País iniciaram nesta quarta-feira uma greve de 24 horas, em protesto contra o plano de reestruturação da companhia, que prevê a demissão de 5.773 empregados até 2008, nas unidades de São Bernardo do Campo e em Taubaté, no Estado de São Paulo; e a de São José dos Pinhais, no Paraná.De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a greve ganhou o reforço dos operários da fábrica de São Carlos, a 244 quilômetros de São Paulo, onde haverá paralisações de uma hora a cada turno de trabalho. Dos 22.500 empregados brasileiros, 21.600 aderiram ao protesto. Com a paralisação, cerca de 2,500 deixarão de ser produzidos. A greve não é uma resposta somente às demissões, mas também ao plano de reestruturação em geral da empresa, que inclui terceirização, aumento das contribuições dos trabalhadores, de 1% para 3% do salário, para pagar plano de saúde, e pagamentos 35% menores para os novos contratados.Caminhada Como parte da jornada de protesto, os trabalhadores da fábrica de São Bernardo fizeram hoje uma caminhada da sede da fábrica até a Igreja Matriz, a maior da cidade, o que provocou o bloqueio parcial da rodovia Anchieta-Imigrantes, que liga São Paulo ao porto de Santos.No percurso, de quase 3 quilômetros, os metalúrgicos distribuíram folhetos para a população explicando o custo da demissão de 3.672 trabalhadores no ABC para a região. Nota do sindicato informa que serão R$ 191 milhões a menos circulando por ano.Os operários da fábrica de Taubaté também fizeram uma passeata pela Via Dutra, entre São Paulo e o Rio de Janeiro, o que provocou engarrafamentos no início da manhã.Reestruturação A Volkswagen Brasil anunciou, em 3 de maio, um plano de reestruturação para recuperar sua competitividade, abalada pela forte valorização do real em relação ao dólar e o aumento de custos em geral, e destacou na ocasião que "cortes na produção e de milhares de empregos são inevitáveis".De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a cada semana haverá um protesto - não necessariamente uma greve - até que a empresa aceite negociar o plano de reestruturação.

Agencia Estado,

31 de maio de 2006 | 14h06

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