FABIO MOTTA | ESTADÃO CONTEÚDO
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Mais de 30% do FI-FGTS estão em empresas da Lava Jato

Caixa Econômica, administradora do fundo, diz que fatores ‘exógenos’ às companhias levaram à baixa contábil

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

31 Março 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Presidente do comitê que decide os investimentos do FI-FGTS, Carlos Abijaodi, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que não apenas a derrocada da Sete Brasil foi responsável pela baixa rentabilidade do fundo em 2015, mas também o comportamento das companhias das quais o fundo é sócio. “O cenário econômico afetou a geração de receitas e, por consequência, o valor de todos os ativos.”

No entanto, desde que foi criado, o fundo tem concentrado boa parte dos recursos desembolsados em poucas empresas. Mais de um terço do total do patrimônio líquido está aplicado em empresas envolvidas na Operação Lava Jato. Além da Sete Brasil, o fundo tem R$ 2,3 bilhões em ações da Odebrecht TransPort, e outro R$ 1,1 bilhão na Odebrecht Ambiental, empresas de capital fechado do grupo Odebrecht. A empresa decidiu optar por aderir a acordos de delação premiada e leniência. Também tem R$ 88 milhões na OAS Óleo e Gás.

Para o professor do Instituto Insper, Otto Nogami, o resultado de 2015 é consequência da forma como o FI-FGTS foi criado. “O governo não pensou em soluções de rentabilidade para a conta do trabalhador, mas em uma fonte barata para financiar os grandes projetos escolhidos”, afirma.

Defesa. Para a Caixa, administradora do fundo, o retorno dos investimentos está ligado à maturação dos projetos de infraestrutura, geralmente, de longo prazo. Segundo o banco, o fundo tem várias “safras” de investimentos, com alguns mais próximos à maturação, mas outros em estágio inicial, o que afeta a rentabilidade da carteira.

“A precificação periódica não reflete a expectativa de valorização de todos os ativos, além de que muitos em fase inicial tendem a apresentar prejuízos contábeis esperados, dado que estão em uma fase de dispêndio de caixa, sem contrapartida de receita”, afirmou o banco, em nota. “Tais ajustes não são permanentes e podem ser recuperados com a mudança de premissas que hoje afetam ou podem afetar a precificação desses ativos”, completou.

Segundo a Caixa, o valor dos projetos nos quais investiu está inferior ao observado nos últimos anos por causa de fatores “exógenos” às companhias das quais o fundo é sócio ou credor e aos gestores de fundos de investimento. Entre as causas para “precificar” no balanço do FI-FGTS um valor inferior ao que acredita ter os projetos estão a alta do custo do serviço da dívida e o aumento da taxa de desconto usada nas avaliações, como consequência da maior exigência dos bancos frente às percepções de risco e retorno mínimo com os projetos.

A Caixa diz que o retorno acumulado do FI-FGTS de 2008 a 2015 é de 68,74%, o que supera a referência de 6% ao ano mais TR. Em outras palavras, teria “gordura para queimar” se a análise for pela vida total do fundo, e não apenas 2015.

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