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Mais de 30 vôos da Varig foram cancelados no Rio

Mais de 30 vôos da Varig foram cancelados hoje nos aeroportos do Rio de Janeiro. No Santos Dumont, que opera a ponte-aérea Rio-São Paulo, foram canceladas cinco partidas para Congonhas e seis vôos que deveriam sair do aeroporto paulista com destino ao Rio foram cancelados. De acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), nenhum passageiro foi prejudicado pelas alterações na programação de vôos da companhia, nem houve tumulto no aeroporto, já que todos foram acomodados em outros vôos. No Aeroporto Internacional do Galeão Antônio Carlos Jobim, 25 vôos foram cancelados desde o início da manhã até o começo da tarde de hoje. Brasília e Foz do Iguaçu foram dois dos destinos que tiveram cancelamento de vôos. Aeronaves da Varig que deveriam ter saído de Porto Alegre, Salvador e Brasília também deixaram de pousar no Galeão.Na última terça-feira o presidente da Varig, Marcelo Bottini, qualificou de "pontuais" os cancelamentos de que vêm ocorrendo desde o último sábado e considerou que eles representam apenas uma pequena parcela do total de 180 vôos que a companhia mantém em linhas nacionais e internacionais. De acordo com informação da assessoria da Varig, a companhia continua operando vôos diários para 36 destinos no Brasil e 21 para quatro continentes, em 18 países. Incidente em BrasíliaA "quebra do suporte de fixação das rodas" causou o problema no trem de pouso de um avião da Varig no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, de Brasília, por volta das 12 horas. O esclarecimento foi prestado por meio de nota, pela companhia aérea, na tarde desta sexta-feira. Trata-se da aeronave MD-11, vôo 2204, que tinha 108 passageiros, e partiu do Rio de Janeiro para Manaus, com escala em Brasília. Já a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou as investigações sobre as causas do incidente e poderá levar entre 30 e 60 dias para divulgar o resultado. De acordo com o especialista em segurança aeronáutica da 6ª Gerência Regional de Aviação Civil, Márcio Santos, "de maneira alguma" a falta de recursos da Varig para serviços de manutenção pode ter causado o incidente. "Não há indícios de ter havido falha operacional. O que aconteceu poderia ter acontecido com qualquer aeronave de outra empresa", afirma.O especialista em segurança aeronáutica do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins, relata que houve quebra de uma das rodas do trem de pouso central. Segundo ele, deverá ser realizado um exame metalográfico para examinar se houve desgaste de material ou excesso de esforço, já que um pedaço do amortecedor também foi danificado.Jenkins disse que ainda é cedo para explicar os motivos. "É difícil dizer (se a falta de recursos da Varig teve influência) sem examinar. Aparentemente não. Uma roda de um carro também pode quebrar se bater no meio fio. Às vezes um pouso mais duro pode ocasionar isso. Quanto ao problema de manutenção, a Varig não deixa um avião voar se ele não tiver condições",diz Jenkins.Aeronave paradaA aeronave está no hangar do aeroporto em Brasília para a troca da peça. O trabalho é de responsabilidade, segundo a empresa, da Varig Engenharia e Manutenção (VEM), que também fará uma investigação das causas que provocaram o problema. A empresa garantiu, na nota, que o trem de pouso que falhou estava dentro do prazo da manutenção e de acordo com o plano da empresa aprovado pelos órgãos reguladores do setor.Situação indefinidaA situação da Varig continua indefinida. O juiz da 8a. Vara Empresarial, Luiz Roberto Ayoub, que estava de folga no feriado de Corpus Christi, voltou para reunir-se na tarde desta sexta-feira, na sede do Tribunal de Justiça do Rio, com representantes do TGV; o sócio da consultoria Alvarez & Marsal, Marcelo Gomes, responsável pela reestruturação da Varig; e Rocha Lima. Gomes garantiu que ainda hoje será divulgada uma "novidade" sobre o desfecho do leilão da companhia aérea.No encontro, os executivos tentam costurar um acordo para dar garantias à proposta da TGV, única a fazer lance pela companhia aérea no leilão da semana passada. A expectativa era de que hoje a TGV depositasse US$ 75 milhões, a primeira parcela do pagamento pela Varig. Pelas regras do leilão judicial da Varig, assim que a proposta vencedora for homologada, o vencedor deve depositar essa quantia em até 72 horas.O TGV foi o único grupo que apresentou oferta pela Varig, de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), no leilão realizado na quinta-feira da semana passada. A oferta do TGV foi homologada com condições pelo juiz Ayoub. A principal exigência da Justiça fluminense é a comprovação da origem dos recursos. Ontem, o TGV entregou pela segunda vez esclarecimentos que não foram considerados suficientes pela comissão de juízes que supervisiona a reestruturação da Varig.Entretanto, confirmado o depósito da primeira parcela, a Nova Varig Participações, empresa formada pelo TGV para o leilão da companhia, teria mais tempo para definir de onde viriam os recursos restantes, da proposta de US$ 449 milhões. Contudo, os vencedores do leilão ainda têm de sugerir uma alternativa aos cerca de US$ 200 milhões em debêntures (títulos privados) não aceitos como forma de pagamento. O edital de venda da companhia não prevê o uso de debêntures e o TGV analisa o uso de "outra moeda".

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