PAULO LIEBERT/ESTADÃO
PAULO LIEBERT/ESTADÃO

Mais de 40% dos filhos de pais sem instrução ganham um salário mínimo

Dados de 2014 do IBGE mostram que estrutura familiar está diretamente relacionada aos rendimentos no mercado de trabalho

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2016 | 10h25

RIO - Determinante na educação dos filhos, a estrutura familiar também pesa sobre o nível de rendimentos alcançados por eles no mercado de trabalho. A correlação entre o nível de instrução dos pais e a renda de seus herdeiros é forte, revela o suplemento de mobilidade sócio-ocupacional da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

Os resultados indicam que o nível de escolaridade das pessoas ocupadas está bastante associado ao nível educacional de seus pais. A diferença aparece quando se compara pessoas que têm o mesmo nível de escolaridade. Em geral, aqueles que têm pais mais escolarizados ganham mais, embora o nível de instrução também impulsione o nível de renda.   

Um porcentual de 41% dos filhos de pais sem instrução está nas faixas de renda mais baixas, com rendimento de até meio salário mínimo (7,5%) ou de mais de meio a um salário mínimo (17,6%).  O inverso acontece quando o pai tem nível superior completo. Nesse caso, 47,4% dos filhos ganham acima de cinco salários mínimos, podendo ultrapassar a faixa de rendimento de 20 salários.   

A idade em que os filhos começam a trabalhar também sofre influência da ocupação dos pais. O IBGE mostra que filhos de trabalhadores cuja ocupação demanda menor nível de instrução formal e que têm menor renda acabam ingressando mais cedo no mercado de trabalho. O exemplo mais gritante é o dos trabalhadores agrícolas. Quando o pai trabalha no campo, 59,6% dos filhos começam a trabalhar antes dos 13 anos. Quando a mãe é trabalhadora rural, esse porcentual vai a 65,9%. 

A lei brasileira proíbe qualquer trabalho para menores de 14 anos. Na idade entre 14 e 16 anos, o jovem pode trabalhar apenas na qualidade de aprendiz. A pesquisa revela, entretanto, que 73,9% da população ocupada em 2014 entraram no mercado antes dos 17 anos. Desse total, 36,4% - ou 25,201 milhões em números absolutos - eram vítimas do trabalho infantil. 

Quanto maior a idade em que a pessoa começou a trabalhar, maior a proporção de pais empregados com carteira assinada e cai a de pais sem carteira, assim como a de pais que trabalham por conta própria. 

Pela primeira vez desde 1996, o IBGE se debruçou sobre a evolução social e ocupacional entre gerações. Como as metodologias empregadas são distintas, não é possível comparar os dados. A pesquisa de 2014 teve convênio com o antigo ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, gestor do programa Brasil Sem Miséria, que tem como um dos eixos aumentar oportunidades de trabalho e geração de renda entre famílias mais pobres. 

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