Mais de 50% da população quer Reino Unido fora da UE

Pesquisa divulgada pelo jornal 'Guardian' indica que 51% dos britânicos votariam pela saída do bloco europeu

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h03

Pela primeira vez desde o início da crise na Europa, mais da metade dos britânicos querem Londres fora do bloco europeu. Uma pesquisa de opinião divulgada ontem pelo jornal The Guardian e pela empresa ICM indicou que 51% dos entrevistados votariam pela saída do Reino Unido da UE. A sondagem é publicada no momento que o primeiro-ministro David Cameron indica que vai renegociar com Bruxelas o que é de soberania de Londres e o que está disposto a ceder para a UE. Para a presidência da Europa, a ofensiva de Cameron poderia "desfazer" o projeto de integração. O governo alemão também teme o comportamento de Londres.

No ano em que o bloco europeu ganha o Prêmio Nobel da paz, a pesquisa deixa claro uma mudança profunda na visão dos britânicos em relação ao bloco. Hoje, 40% da população estaria de acordo em manter o país dentro da UE.

Na última vez que a pesquisa foi feita, em 2011, 49% pediam para sair do bloco. Em 2001, apenas 19% dos entrevistados queriam a exclusão do Reino Unido, que já não faz parte da zona do euro nem do mais recente acordo do bloco de criar um pacto fiscal único no continente. Hoje, 36% afirmam que "certamente votariam por sair" da União Europeia, enquanto outros 15% apontam que "provavelmente votariam por sair".

Os dados são publicados às vésperas da mensagem que Cameron pretende dar em seu discurso de fim de ano, em que insistirá na necessidade de um novo acordo para estabelecer as competências entre o Reino Unido e a Europa.

Pressionado por grupos mais radicais dentro de seu partido e temendo perder apoio, o primeiro-ministro insiste que não quer a saída de seu país do bloco. Mas admitiu que uma exclusão seria "imaginável". Para parte da classe política inglesa, a crise na zona do euro jogou o Reino Unido, em duas ocasiões em três anos , em recessão.

Cameron estaria sendo pressionado por membros do próprio partido para que organize um referendo em que a população possa escolher entre "renegociar" sua participação dentro da UE ou sair do bloco. A votação poderia ocorrer em 2015.

Diante do fato de que o discurso de fim de ano será sua oportunidade para delinear um projeto de médio e longo prazo ao país, Cameron está sendo aguardado por muitos para que cite a questão do referendo em sua alocução. Ontem, em entrevista ao jornal The Guardian, o presidente do Conselho da Europa, Herman Van Rompuy, deixou claro que uma ação de Cameron por repatriar poderes para Londres significaria uma ameaça séria ao projeto europeu. / J.C.

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