JF Diorio/Estadão
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Mais de 70% dos brasileiros acreditam que País está em recessão, diz consultoria

Pesquisa da consultoria Nielsen, referente ao quarto trimestre do ano passado, aponta que 73% dos brasileiros acreditam que o País está em recessão; no fim de 2013, 51% da população acreditava que a economia estava encolhendo

Álvaro Campos, Agência Estado

30 de janeiro de 2015 | 16h23

A confiança do consumidor caiu fortemente e 73% dos brasileiros acreditam que o País está em recessão. Esses são alguns dos dados de uma pesquisa global divulgada esta semana pela consultoria norte-americana Nielsen, referente ao quarto trimestre do ano passado. No fim de 2013, 51% dos brasileiros consideravam que a economia estava encolhendo.

A América Latina foi a única região do mundo onde os sentimentos sobre recessão pioraram, ao subir 12 pontos porcentuais de um ano para o outro, atingindo a média de 73%. A América do Norte teve o melhor desempenho, com queda de 15 pp, com 53% dos entrevistados acreditando agora estar em recessão.

Em termos de confiança, o índice dos brasileiros ficou em 95 pontos no quarto trimestre do ano passado, de 101 no trimestre anterior. O resultado ficou abaixo da marca de 100 pontos, que indica o limiar entre otimismo e pessimismo. Ainda assim, o Brasil não está tão mal na tabela, ficando em 19º lugar dos 60 países analisados. Os mais otimistas do mundo são os indianos, com 129 pontos, e o mais pessimistas são os italianos, com apenas 45 pontos. A média global caiu dois pontos, na margem, para 96 pontos.


Na América Latina, o Brasil perdeu a liderança no otimismo pela primeira vez desde 2011, com o Peru guiando a região agora (101 pontos). Segundo o relatório, a perspectiva sobre emprego caiu em três dos sete países da região, enquanto a avaliação sobre as finanças pessoais recuou em todos, com exceção do Peru. "A confiança do Brasil reflete os altos níveis de incertezas sobre o ambiente econômico", diz Luis Arjona, diretor da Nielsen no Brasil.

Segundo ele, além da previsão de crescimento econômico muito baixo para este ano, a inflação está acima do centro da meta e há crescentes preocupações com o aumento do desemprego. "Por outro lado, a nova equipe econômica nomeada recentemente tem adotado medidas para reconquistar a confiança, ao elevar os juros para combater a inflação e prometido restaurar uma maior disciplina fiscal", afirma Arjona. Ele também cita os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e a forte queda nos preços do petróleo, que contribuem para a incerteza no mercado. "Níveis relativamente baixos de confiança do consumidor devem persistir no curto prazo, até que a região embarque em uma clara trajetória de recuperação".

A pesquisa da Nielsen ouviu mais de 30 mil pessoas, por meio da internet, entre 10 e 28 de novembro. O índice de confiança avalia a percepção sobre perspectivas de emprego, finanças pessoas e intenções imediatas de gastos. A margem de erro é de 0,6 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. 

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