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Mais de 8 milhões de pessoas trabalham em condições piores do que o prometido ao serem contratadas

Levantamento do IBGE ainda mostrou que 15,8% dos profissionais do setor privado consideram insatisfatórias as condições de salubridade e segurança em seu ambiente de trabalho

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 10h24

RIO - Em todo o País, aproximadamente 8,324 milhões de brasileiros consideram que as condições de trabalho que encontraram no emprego atual estão aquém do que foi prometido por seus empregadores no ato de recrutamento. Os dados foram levantados pela primeira vez na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Aspectos das Relações de Trabalho e Sindicalização 2015, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pela primeira vez, o IBGE mediu o grau de satisfação dos empregados sobre as condições de trabalho efetivamente encontradas em relação às que foram previamente acordadas. Entre os 51,7 milhões de trabalhadores ocupados no setor privado ou no trabalho doméstico, 16,1% declaram estar insatisfeitos ou pouco satisfeitos com as condições de trabalho em relação ao que foi prometido quando aceitaram o emprego.

Um total de 6,2% dos trabalhadores ocupados disseram que a jornada de trabalho era na maioria das vezes superior ao que foi acordado previamente com o patrão, enquanto que 4,3% ainda disseram receber rendimentos abaixo do que tinham combinado anteriormente. Apenas 76,9% dos empregados declararam-se satisfeitos ou muito satisfeitos, enquanto que 7% estavam indiferentes.

Entre os trabalhadores com nível superior completo, o grau de satisfação com as condições de trabalho encontradas em relação ao previamente acordado alcançou 83,5%. Entre os trabalhadores sem instrução, 70,1% disseram-se satisfeitos. Na classificação por cor ou raça, 79,8% dos brancos declararam-se satisfeitos, contra 74,4% dos pretos e pardos. Na faixa etária mais elevada, com 50 anos ou mais de idade, 79,6% mostraram-se satisfeitos, ante 75,0% entre os jovens de 16 e 17 anos. Entre os homens, 77,3% estavam satisfeitos, ante uma fatia de 76,4% das mulheres.

A renda, a jornada de trabalho e a formalização do vínculo empregatício também foram determinantes entre os trabalhadores que se declararam satisfeitos ou muito satisfeitos com as condições do emprego que ocupavam em relação ao que fora prometido. Na faixa que recebia mais de cinco salários mínimos, 90,0% estavam satisfeitos, enquanto que essa fatia caía a 60,5% entre os que ganhavam até um quarto de salário.

Os trabalhadores que tinham jornada regular de trabalho também tinham a maior fatia de satisfeitos, 78,4%, mesmo fenômeno percebido pelos que tinham como vínculo empregatício a carteira de trabalho assinada, com 79,4% de satisfeitos. Entre os que trabalhavam sem carteira assinada, o porcentual de satisfeitos caiu para 70,0%.

Insatisfação. Na contramão do trabalho decente, 15,8% dos trabalhadores brasileiros do setor privado consideravam insatisfatórias as condições de salubridade e segurança em seu ambiente de trabalho. O levantamento considerou a avaliação de empregados que atuam em empreendimentos com três ou mais funcionários e que possuíam remuneração em dinheiro tendo como base tanto o controle de risco e prevenção de acidentes como o fornecimento e capacitação para uso do equipamento de proteção individual. Neste universo de trabalhadores, 71,1% declararam-se satisfeitos ou muito satisfeitos.

Quando considerados todos os trabalhadores do setor privado e do emprego doméstico, foi medido também o grau de satisfação e acesso a benefícios. Apenas 41,4% recebiam auxílio-alimentação, 49% possuíam benefícios sociais, outros 62,7% tinham acesso a processo de capacitação profissional. Mesmo assim, o grau de insatisfação dos contemplados pelos benefícios foi alto: 25,3% estavam insatisfeitos com o auxílio-alimentação; 18,4% estavam descontentes com a jornada de trabalho; 31,9% estavam insatisfeitos com o nível de remuneração; 24,4% consideravam insatisfatórios os benefícios complementares oferecidos.

Em números absolutos, 26,2 milhões de trabalhadores não recebiam benefícios sociais complementares; 30,1 milhões não recebiam auxílio-alimentação; 19,1 milhões não tinham acesso a processos de capacitação profissional. Entre os trabalhadores mais satisfeitos estão homens brancos, numa faixa etária mais madura, com nível superior completo, carteira assinada, jornada padrão de 40 a 44 horas semanais e renda acima de cinco salários mínimos.

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