Mais de 80% de britânicos esperam alta do juro nos próximos 12 meses

Apesar de desconhecer as estratégias da política monetária do BC inglês, população já se prepara para a elevação da taxa

FERNANDO NAKAGAWA, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2014 | 02h04

LONDRES - Oito em cada dez britânicos nunca ouviram falar da estratégia futura para a política monetária do Banco da Inglaterra (BoE). Mesmo assim, 83% dos cidadãos do Reino Unido entendem que o juro subirá nos próximos 12 meses.

Com a economia em ritmo cada vez mais acelerado, as dificuldades da crise foram superadas e o banco central inglês já sinalizou em documentos que se prepara para um lento e gradual processo de alta.

Ainda que os jargões sejam ignorados pela população, o discurso chegou aos consumidores e a maioria diz que já se prepara para o período de dinheiro mais caro.

Pesquisa realizada no início de agosto pelo instituto YouGov e o Centro de Pesquisas de Economia e Negócios (CEBR) mostra que 83% dos britânicos acreditam que haverá aumento do juro nos próximos 12 meses. Há um ano, a fatia era bem menor e 48% esperavam aperto na economia.

Os números mostram que a estratégia de comunicação adotada pelo banco central inglês pode ser considerada bem-sucedida porque conseguiu ancorar as expectativas dos consumidores sobre o provável movimento dos juros.

A pesquisa, porém, revela um aspecto interessante: a mensagem chegou de forma indireta ou inconsciente aos consumidores. Principal peça da atual política monetária inglesa, a "orientação futura" (forward guidance, em inglês) é completamente ignorada pela população.

De acordo com a pesquisa, só 4% dos entrevistados sabem como essa ferramenta funciona e outros 7% disseram que já ouviram falar alguma coisa sobre o tema. A maioria esmagadora de 72% nunca ouviu falar das duas palavras juntas.

Expectativas. Tema de estudos de economistas e jargão repetido por analistas, a orientação futura foi adotada pelo presidente do BoE, Mark Carney, para sinalizar o momento da futura guinada da economia.

Ao atrelar a política monetária a indicadores e condições econômicas, o banco central inglês explicita ao mercado e consumidores que os juros pró-crescimento não serão condição permanente e, com a recuperação da atividade, dá pistas de quando deverá ocorrer a normalização do quadro.

No mercado financeiro, a maioria dos economistas prevê que o processo de aperto da economia deverá começar entre o fim de 2014 e os primeiros meses de 2015.

A percepção é igualmente compartilhada pelos consumidores. Segundo a pesquisa, 30% dos entrevistados preveem alta dos juros antes do fim do ano. Para 42% dos ouvidos, a alta será no primeiro semestre de 2015 e 20% esperam o movimento na segunda metade do próximo ano. Só 4% acreditam em ação do BC em 2016.

"Embora os consumidores não saibam o significado exato do termo 'orientação futura', eles estão cientes com a cobertura jornalística do debate em torno dos juros. Conforme houve melhora dos indicadores de emprego, a chance de aumento das taxas cresceu", diz o chefe do instituto de pesquisa YouGov, Stephen Harmston, no estudo, ao comentar que os números mostram que a estratégia do banco central inglês parece ser bem-sucedida.

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