Mais déficit, com menos comércio internacional

ANÁLISE: José Augusto de Castro

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2015 | 02h03

Os dados da balança comercial de fevereiro de 2015 confirmam a forte retração do comércio externo. Ante fevereiro do ano passado, a exportação apresentou queda de 15,7% e a importação de 8,1%. Isso levou a um declínio de 11,7% na corrente de comércio e a um déficit ainda maior do que o de fevereiro de 2014 (US$2,84 bilhões comparativamente a US$2,13 bilhões). Portanto, o quadro mensal é de menos comércio e mais déficit.

Quando analisamos as exportações por produtos, constata-se queda geral de preços. Das principais commodities exportadas, poucas tiveram ganhos, como o café em grão (41,1%), alumínio (12,6%), fumo em folhas (9,5%) e açúcar refinado (2%). Tirando o café, observa-se que os porcentuais de queda de preços foram substancialmente mais elevados. Esse tem sido o principal motivo do declínio da receita de exportações.

Analisando os destinos, o porcentual das variações negativas continua a assustar: China (-38,3%), Argentina (-17,3%), Europa Oriental (-40,9%), África (-22,4%), União Europeia (-6%).

Infelizmente, o que os números mostram é que o comércio exterior, até o momento, não está sendo a válvula de escape para um mercado interno em desaquecimento. Considerando o acumulado janeiro-fevereiro de 2015, as exportações e importações tiveram quedas de 13,1% e 10,2%, respectivamente. O déficit do período atingiu US$ 6 bilhões.

Embora a recente desvalorização do real tenda a estimular as vendas ao exterior, os exportadores terão de enfrentar agora a reversão da política de desoneração efetivada pelo governo e seu impacto no planejamento, gerando instabilidade, incerteza e frustração. Mas tudo o que os exportadores precisam diante desse quadro é de previsibilidade.

* Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

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